sexta-feira, 11 de março de 2011

Ser um mundo

Pode gostar-se mais de uma pessoa pessoa do que outra apenas um bocadinho. No entanto, pensar que ela é como mais ninguém, isola-a de todos os outros. É como mais ninguém.
Amá-la como a mais ninguém torna-a incomparável. Logo, não gosto nem mais nem menos do que quem quer que seja. Só existe ela. Ela é o mundo, porque essa é uma das definições intrínsecas do Amor: ser o mundo.
É por isso que o Amor também é uma guerra ou, se quiserem, um continuado campo de batalha. Os mundos conquistam-se palmo a palmo, trincheira a trincheira. Essa é a História do Mundo e também a História do Amor.
Um amante passa a vida em guerra, disputando um olhar ou um minuto de atenção desse mundo com todas as armas de que dispõe. Às vezes um olhar, outras vezes palavras, outras ainda o próprio corpo. É uma guerra sem tréguas em que às vezes se é certeiro, outras vezes nem por isso. Eu, como um soldado de quase quarenta anos, já dei alguns tiros no pé. Perdi terreno e voltei a conquistá-lo de novo. Teve que ser. Tem sempre que ser.



Bagaço Amarelo

terça-feira, 8 de março de 2011

Crowded loneliness

Um dia destes fiz um bolo e esqueci-me de verificar a temperatura do forno antes de o lá colocar. Quando fui ver, uma das partes estava um pouco queimada. Era para a festa de Carnaval do meu filho na escola. Chato, observei. Opções: tentar comprar um em qualquer lugar ou comprar os ingredientes e fazer outro. Em qualquer dos casos seria necessário sair de casa outra vez. Estranho, pensei, não me apetece mesmo nada sair de casa agora.  Lá acabei por sair, tinha de o fazer. Optei por comprar os ingredientes. Meti mãos à obra. Problem solved!
Fiquei a matutar no que me custou aquele abrir a porta e passar. Por alguma razão o exterior me pareceu mais frio do que o habitual. Percebi depois que há momentos em que precisamos mais do abrigo do nosso espaço. Pela protecção que nos dá.  Porque há certas alturas em que se torna essencial a sensação do familiar. Lá fora, quando somos só nós, às vezes, a solidão parece tomar novas dimensões perante a apatia do(s) desconhecido(s).  E não me apetecia mesmo nada caminhar para ela.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Mais do que palavras... XX


So are you to my thoughts as food to life,
Or as sweet-season'd showers are to the ground;
And for the peace of you I hold such strife
As 'twixt a miser and his wealth is found.
Now proud as an enjoyer, and anon
Doubting the filching age will steal his treasure;
Now counting best to be with you alone,
Then better'd that the world may see my pleasure:
Sometime all full with feasting on your sight,
And by and by clean starved for a look;
Possessing or pursuing no delight
Save what is had, or must from you be took.
Thus do I pine and surfeit day by day,
Or gluttoning on all, or all away.

Shakespeare

domingo, 6 de março de 2011

Lena D'Água e La Plante Mutante

Simpática é o adjectivo que me ocorre quando penso na noite de Sábado de Carnaval que tive. Não por ter sido de Carnaval, mas porque houve a oportunidade de assistir a um espectáculo muito agradável e francamente divertido, proporcionado pela banda La Plante Mutante, que teve um momento muito alto quando a nossa menina de ouro dos anos 80, Lena D'Água, subiu ao palco.
É verdade. A Lena continua por aí a proporcionar momentos musicais bem saborosos a quem se predispuser a desfrutá-los com ela. Cheguei a pensar, antes de ter assistido à interpretação, se ver uma actuação da Lena nesta altura não mudaria em mim a imagem que guardo dela. Já tinha assistido a algumas prestações suas na televisão e o que passou para cá não ia de encontro à Lena D'Água que gosto de recordar. Foi com muito agrado que a vi, ontem, brilhar com prestações de qualidade através da interpretação de temas tão conhecidos de todos nós: Dou-te um doce, Sempre que o amor me quiser e o sempre empolgante Demagogia. Pessoalmente, apreciei bastante o seu desempenho no tema No fundo dos teus olhos de água (foi até uma surpresa, acho que ninguém estava à espera, mas muito bem recebido pelo público).
A Lena continua a dar uma interpretação muito sua às musicas, a sua voz não decepcionou ninguém  e mantém o ar de miúda gira. Não há como verem as imagens para ficarem com uma ideia.























sábado, 5 de março de 2011

Máscaras e máscaras

- Estou mesmo contente por ir mascarado de Zorro este ano! Obrigado!
- Sim? Ainda bem! Mas porquê todo esse entusiasmo com o Zorro?
- Porque o Zorro é dos bons.
- O Ruca e o Noddy também eram bons.
- Mas no Zorro há maus e ele dá cabo deles.
- Humm. Interessante...
- E também já tem uma namorada! (diz o meu filho de 6 anos com um sorriso de orelha a orelha e um olhito a brilhar perante uma mãe perplexa que não pára de o fitar)

sexta-feira, 4 de março de 2011

Um momento nunca é só um momento

Há coisas que vale mesmo a pena viver. Digo isto como quem diz que quem não as vive, ou não passa por elas, não terá tido nunca a oportunidade de sentir a riqueza que alguns momentos proporcionam. Sei agora que momento nenhum tem que ser vivido apenas em determinada idade. Muito sinceramente, cada vez mais acredito que há episódios da vida que são muito mais apreciados e aos quais damos mais valor se vividos numa altura em que já desenvolvemos uma maturidade, uma sensibilidade, que nos permite admitir sem falsos pudores como a vivência de um momento nos pode transformar, melhorar, ajudar-nos a (re)descobrir um lado em nós (se calhar o mais bonito que temos) que, estando lá, o era sem consciência.
Serão momentos, apenas. Foram um tempo. Mas "momentos, apenas" é algo que não existe. Um momento acontece num determinado período de tempo, sim, mas os momentos que depois passamos a relembrá-lo recuperam o momento em outros momentos que podem acontecer vezes e vezes e vezes.
Um momento nunca é só um momento.
E poderá até ser "o" momento.

quarta-feira, 2 de março de 2011

02/03/2011

Hoje quis ser como tu

Não foi hoje a primeira vez que te vi mas foi nesta data que percebi ambicionar ser como tu.
Talvez te tenha olhado com vistas diferentes ou necessidades distintas, não tenho a certeza, o que realmente importa é que te olhei e quis ser tu.
Sossega que não quero roubar-te a identidade, tu tens por certo a tua história de vida, não sei se longa ou curta, e essa ninguém te pode roubar. A minha nunca a achei.
Tens também o teu grupo de amigos, estás rodeada por eles, partes com eles e com eles voltas. A este e a muitos outros lugares. Eu estou quase sozinho e contento-me em olhar-vos e em apreciar os vossos gestos de camaradagem e cumplicidade.
Eu também tenho amigos fiéis, dois, o papel e a caneta, mas eles nunca me levam a lugar algum, tenho eu de os carregar se quero companhia.
A eles confesso todos os meus pecados e mágoas e também eles são meus cúmplices. Um serve-me de ferramenta para que no outro deixe gravadas as minhas reflexões.
Mas hoje olhei-te e quis ser tu que não usas canetas nem papeis, que não tens eira nem beira, nem desesperos nem consumições. Não tens o que eu tenho e por isso és mais feliz.
Gaivota, hoje eu quis deixar de ser eu e partir contigo para onde tu fores.
Gaivota, hoje eu quis ser tu, simplesmente para ter asas e poder voar.

Nelson Ferreira

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

mensagens por telemóvel que não envio por serem foleiras mas que queria enviar na mesma

Tenho um amigo que tem um blogue fenomenal que visito regularmente. Desde sempre que acho um piadão ao nome que dá às "etiquetas" dos posts que publica. Tem uma que acho especialmente deliciosa e lembrei-me dela hoje: "mensagens por telemóvel que não envio por serem foleiras mas que queria enviar na mesma". E  isto tudo foi agora um belo pretexto para dizer que estou cheinha de vontade de enviar uma, mas que não vou enviar porque é bem provável que seja foleira. 

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Tough days

A semana não foi fácil. Por várias razões e uma delas foi o facto do meu filho também ter tido um dia menos bom pelo meio. Um dia menos bom na vida do meu filho, é um dia mau para mim. E é-o porque perante certos caprichos da vida as mães sentem-se tão impotentes! É o quase nada poderem fazer para que se sintam melhor e é uma sensação bastante ingrata. Há então que recorrer ao que está ao nosso alcance, mesmo que seja apenas envolvê-los numa teia de amor um dia inteiro e ajudá-los, especialmente nesse dia, a crescer com a certeza que essa teia nunca os abandonará. Perante um episódio semelhante ao desta semana, há algum tempo atrás, não foi esta a opção que fiz. Lamento-o até hoje. É que, entre nós, os pais, parece haver uma tendência generalizada para minimizarmos o que se passa com os nossos filhos... "é provável que a coisa se resolva sem mais"... É tão mais fácil cairmos nesse lugar comum.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O fenómeno do papel térmico

O que nos fica dos momentos que vivemos são as sensações. Li eu algures, há uns tempos atrás. Ao que parece, o que o cérebro humano armazena é, efectivamente, o que os sentidos registaram no momento, seja a intensidade da luz (imagem clara ou escura), ou da temperatura (frio ou calor). Mesmo a sensação de barulho ou silêncio fica em nós, segundo dizem.  A realidade é que, quando olhamos para um determinado momento da nossa vida no passado, recente ou não, não são imagens assim tão nítidas que enxergamos. Serão detalhes, aspectos, nitidez não.
A mim acontece-me muito isto de recordar momentos associando-os a sensações. Na verdade, às vezes, recorro às sensações (tipo, enquadramento) na esperança de estas me ajudarem a relembrar depois rostos. Nítidos, queria eu. Como se estivesse a olhar para eles. E é tão difícil! É engraçado que as sensações ficam e os rostos das pessoas presentes nos tais momentos, e que não vemos há algum tempo, tendem a desvanecer. E fazemos um esforço tremendo! Fechamos os olhos para melhor recuperarmos as feições que queremos porque queremos guardar, mas não há meio. O cérebro prega-nos partidas. É como aquele papel térmico do multibanco. Com o tempo, o que está impresso desaparece. "Se é importante, o melhor é fazer uma cópia."
Eu não quero cópias!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Luz e calor

Hoje acendi todas as velas que tenho em casa. Há muito tempo que não o fazia. Não sei se sei explicar porquê. Gosto muito de velas. De ambientes com velas. Talvez seja por isso. Pela luz que sem ser grande luz é grande na luz que cria. Pelo calor. Sem ser grande calor, é grande no calor que cria. Talvez pelo aconchego. É que, sem ser grande aconchego, é grande no aconchego que cria.
Porque precisei.
Porque representam, neste momento, a luz e o calor do aconchego.

e um olhar perdido é tão difícil de encontar como o é congregar ventos dispersos pelo mar

Ruy Belo

domingo, 6 de fevereiro de 2011

RIP Gary Moore - Quando os nossos ídolos morrem

Quando os nossos ídolos morrem, há algo em nós que morre também. Acredito fatalmente nisto. Serão, para os outros, personagens que fazem parte de uma história que não passa de história. Figuras nunca vistas. Distantes num mundo de fantasia que está longe de ser real e que, por isso, não compreendem. Para nós não é nada assim! Serão de um mundo fisicamente distante, mas têm neles outro mundo que está coladinho ao nosso! Mais do que isso, o mundo deles torna-se nosso e o nosso vive no mundo que eles nos dão a conhecer a partir das suas musicas (no caso). E partilham o nosso quarto, vão para o banho connosco, ouvem as conversas secretas com os nossos amigos, sonham e choram, também. Estão sempre lá para nós. Por vezes, transformam-se num aconchego. Quantas vezes os procuramos como curandeiros da alma!
Tomarmos conhecimento que o nosso ídolo (ou um dos) da adolescência desapareceu definitivamente, deixa-nos inquestionavelmente nostálgicos e sentimos que um bocadinho do que somos (e fomos) levou um abanão. Eles representam-NOS! Sentimos um dia uma tal cumplicidade que temos a sensação que só nós e eles é que percebemos o que quer que haja para perceber em determinadas alturas.
Não fui eu que perdi um ídolo. Este é o ídolo do meu irmão que um dia fez com que ele desejasse ser um "Teenage Idol". Que também sonhou e chorou comigo algumas vezes.

Teenage Idol

He never did much good when he went to school
Too many teachers there were to many rules
A dirty face kid he was never outta trouble
His mom and papa told him better get out on the double
But when he heared that music on the radio
He knew one day he was gonna be a teenage idol

He quit his job in the factory
He was tired if makin' peanuts so jumped out of the tree
He couldn't wait another day to get out of that place
He punched the clock and he broke its face
But when he heared that music on the radio
He knew one day he was gonna be a teenage idol

He's a teenage idol
He knows how to rock and roll
A teenage idol
He's way out of control

He ditched his chick and he sold his car
He bought himself a hot guitar
He joined a band and they cut some tracks
He hit the road and he's never looked back
And now they're playing all his records on the radio
Ans everyone knows that he's gonna be a teenage idol

He's a teenage idol
He knows how to rock and roll
A teenage idol
He's way out of control

And now they're playing all his records on the radio
AnD everyone knows that he's gonna be a teenage idol


sábado, 5 de fevereiro de 2011

De mãos dadas

É Sábado. Acabei de o deixar numa das suas actividades de fim de semana e segui caminho. Dormi pouco. Acordei cedo. Ainda assim, não sinto o peso das horas não dormidas. Caminhar pelas ruas cheias de gente que não vejo, sem ir a lugar nenhum, parece-me, neste momento, perfeito. Começo a ouvir ao longe uma melodia que brota de um canto da rua a partir de um qualquer saxofone. Tenho a sensação que não indo a lugar nenhum, em algum lugar me vou encontrar. Paro para um café. Sento-me numa das mesas que estão na rua e ao som continuado do saxofone partilho um café comigo mesma. Sem mais, a hora aconteceu. Levanto-me e caminho em direcção certa. Desta vez sei para onde ir. Aproximo-me, ouvindo um piano. Depois, silêncio. Abre-se uma porta e uma mão procura a minha. Só a minha. Agarramo-nos com força. A caminhada é agora a dois e sabemos bem para onde vamos. Se não soubéssemos, não faria qualquer diferença. Íamos de mãos dadas. E o realmente importante era isso.
Ah! E nunca nos largarmos!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

diário - 01/02/2011

Gustav Klimt, O Abraço

Olho o nada e vejo um sorriso. 
Abraço imagens. 
Deixo envolver-me em pensamentos. 
Nas mãos o nada que não largo. 
Que com ambas as mãos agarro. 
Olhos cerrados. 
Enrolo-me em mim. 
Encolho-me pequenina.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Foi um momento...


O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não?

Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido,
Mas tão de leve!...

Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida
Há uma coisa
Incompreendida...

Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço?
Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.

Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Bem vinda, Fadinha dos Dentes

Coloquei este mesmo sorriso num post há uns tempos atrás. Hoje, apetece-me voltar a colocá-lo aqui. A razão continua a ser o sorriso, mas, desta vez, é porque este sorriso que ilustra o texto, exactamente assim como é,  começou hoje a dar sinais de que não voltará a sê-lo. Não quero com isto dizer que algo menos positivo aconteceu e que este sorriso lindo se inibiu de brilhar. Não. Há-de continuar a brilhar e sempre com muita intensidade. Terá apenas uma aparência diferente. 
É curiosos que a partir de uma certa altura da nossa vida sempre que falamos sobre a passagem do tempo, salientamos em nós aspectos que consideramos menos positivos e fazêmo-lo, até, de forma muito pouco efusiva... E falamos nas rugas.  E falamos dos cabelos brancos. Ou na ausência de cabelo. E falamos na falta de memória. E nunca nos ocorre com a mesma rapidez de raciocínio que há formas tão mais encantadoras de tomarmos consciência de que o tempo passa! O tempo também traz na sua passagem marcas que nos enchem o peito, como os sinais de crescimento dos nossos filhos. Entre a primeira vez que aqui coloquei este sorriso e agora, passaram dois anos e três meses. Este sorriso do meu filho não voltará a ser assim, simplesmente porque o primeiro dentito lhe caiu hoje. Sinal do tempo. Muito bom sinal!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

"A Minha Agenda" da Caderneta de Cromos

Este Natal alguém me deu de presente "A Minha Agenda" da Caderneta de Cromos do Markl. Confesso que achei um piadão! Também ganhei o livro, mas como gosto mesmo muito de agendas (acho que ainda nunca tinha dito isto aqui =))), estou a afeiçoar-me mais à agenda. Para além do objectivo prático, funcional da coisa, (sim, e eu também já sei que estamos numa era tecnológica e que já ninguém usa agendas em papel), o que dá sempre muito jeito, a agenda traz algumas curiosidades que tiveram lugar nos anos 70 e 80 e traz notas, pensamentos, constatações do universo do próprio Markl por essa altura.
Ora bem, nem sequer é o facto de ter sido 'o' Markl a redigir estes apontamentos o que me despertou o interesse. É mesmo só por serem pensamentos - arriscaria dizer - típicos de meninos na adolescência e pré-adolescência. De facto, e embora a minha vida, de alguma forma, esteja muito relacionada com o universo adolescente, tenho tido algumas revelações no que diz respeito a este mesmo universo nos anos 80.
Imagine-se que os meninos faziam listas de meninas nas quais agrupavam nomes daquelas que eram "para casar" e "para coiso", (palavras do Markl). Já agora, os primeiros nomes que figuravam na lista do autor eram a Kim Wilde "para casar" e a Samantha Fox para "o resto". Surprise, surprise! Não sei de diga coitada da Sammy Fox ou coitada da Kim Wilde. Mas tendo em conta que, na agenda, consta uma citação da primeira que diz " Tenho dez pares de sapatilhas, um para cada dia da semana.", acho que é difícil não saber de quem tenho pena (digo eu, vá).
Depois, tinham cassetes com listas de musicas classificadas como "musicas para abanar o capacete" e "musicas para pensar em coiso".
Curioso, também, fazerem listas com nomes de meninas para quem enviariam cartões no Dia dos Namorados. Ou seja, fica-se com a ideia de que não havia uma menina em especial a quem desejariam mesmo enviar um cartão. O que vem à rede é peixe parece fazer muito sentido neste caso.
Moral da história, não sei se gostei de saber desta constante das listas para tudo no universo dos meninos adolescentes dos anos 80...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Qual foi a última vez que alguém vos desafiou a fazer uma loucura?

Passamos a vida a querer que esta seja loucamente saudável e que funcione como deve ser. Temos as nossas pequenas loucuras quando andamos na escola. Fazemos asneiras a ver até pisar o risco. Na puberdade achamos que temos o mundo aos pés e mesmo sem fazer nada de especial sentimo-nos especiais. A não ser que já se tenha decidido dentro do ventre materno ter uma espécie de complexo que nos impede de achar que o mundo é nosso (como um grande autor já referiu). Depois namoramos, casamos e temos filhos, não necessariamente por esta ordem. Há aqueles que fazem tudo como manda a etiqueta e acabam acomodados a uma vida planeada à medida. Outros há, porém, que não se acomodam mesmo quando se casam e que sabem o valor da loucura saudável. 
Foi o que me aconteceu este fim-de-semana. Alguém disse: - venham e eu disse: - “bora” e lá fomos. Fizemos 1200km, conhecemos pessoas espectaculares e voltamos a tempo de continuar a vida nos moldes normais. Uma pequena loucura que durou 24h. Nada planeado. Uma verdadeira alucinação. A vida deveria ser assim, vivida com muitas emoções de liberdade sem pensar nos “e se”. Deveríamos fazer unicamente o que a nossa loucura saudável dita.



Celeste Silva