esta noite vai sair outra vez. nunca são longas, as saídas. nem são assim tantas. ainda assim, é mais uma saída...
cuidou dela durante toda a tarde, agora escurece e vão sendo horas de aparecer no restaurante. esperam-na os amigos do costume, colegas de trabalho na sua maior parte. e, esperam-na também, as conversas: o estado do país, os impostos que não param de aumentar, as despesas com a casa, o carro, com os filhos.... falar-se-á inevitavelmente nas proezas profissionais e na falta delas; e nas gripes que persistem, fruto deste mau tempo, claro...
é verdade que tudo se revela algo terapêutico, menos solitário. convive-se, observa-se, constata-se. principalmente, partilha-se. partilham-se.
até que as horas se cumprem e como sempre, um regresso a casa.
há um novo regressar, que de novo nada tem. é a mesma urgência em voltar para o familiar, em mudar para uma roupa confortável, em espreitar o computador antes de dormir, em se esticar no sempre silencioso quarto.
esta noite insistiu em sair outra vez.
e já deitada, continua sem entender porque insistem as pessoas em cenas que não lhes devolvem nada...
“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias” – Alberto Caeiro
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sábado, 9 de março de 2013
sábado, 5 de maio de 2012
coisas sem importância
acordou. era dia outra vez. o ritual costumeiro e a hora de escolher o que vestir. tem dias em que 'ter' de escolher o que vestir é um verdadeiro frete. aos dias de semana fica decidido e pronto na noite anterior (ganha tempo de manhã), mas ao fim de semana não há tempo para ganhar. então, olha mais e mais uma vez, e lá se decide por uma qualquer peça, enquanto pensa que podia perfeitamente ter no armário uma coleção de uniformes (iguaizinhos, todos) para que a questão do 'escolher' ficasse resolvida. tinha visto isto uma vez num filme qualquer, anos atrás, e lembrou-se. pensou também que, na ausência de uniformes, se podia muito bem vestir a mesma roupa do dia anterior, porque não? depois refletiu e fez questão de dizer a si própria em voz alta que, se por alguma razão fosse obrigada a vestir a roupa usada no dia anterior, provavelmente, acharia um frete ainda maior. acabou de ter este pensamento e, ali de pé no meio do quarto, com alguma roupa na mão, a olhar para o roupeiro, lembrou-se que, afinal, já lhe tinha acontecido.
isto de ter de vestir a mesma roupa. a do dia anterior. por não ter outra. naquele momento. lá.
tinha sido num acordar diferente.
de repente, só se lembrou do acordar diferente. e do facto de ter vestido a mesma roupa por causa desse acordar. e de isso não lhe ter merecido qualquer importância.
isto de ter de vestir a mesma roupa. a do dia anterior. por não ter outra. naquele momento. lá.
tinha sido num acordar diferente.
de repente, só se lembrou do acordar diferente. e do facto de ter vestido a mesma roupa por causa desse acordar. e de isso não lhe ter merecido qualquer importância.
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