domingo, 6 de fevereiro de 2011

RIP Gary Moore - Quando os nossos ídolos morrem

Quando os nossos ídolos morrem, há algo em nós que morre também. Acredito fatalmente nisto. Serão, para os outros, personagens que fazem parte de uma história que não passa de história. Figuras nunca vistas. Distantes num mundo de fantasia que está longe de ser real e que, por isso, não compreendem. Para nós não é nada assim! Serão de um mundo fisicamente distante, mas têm neles outro mundo que está coladinho ao nosso! Mais do que isso, o mundo deles torna-se nosso e o nosso vive no mundo que eles nos dão a conhecer a partir das suas musicas (no caso). E partilham o nosso quarto, vão para o banho connosco, ouvem as conversas secretas com os nossos amigos, sonham e choram, também. Estão sempre lá para nós. Por vezes, transformam-se num aconchego. Quantas vezes os procuramos como curandeiros da alma!
Tomarmos conhecimento que o nosso ídolo (ou um dos) da adolescência desapareceu definitivamente, deixa-nos inquestionavelmente nostálgicos e sentimos que um bocadinho do que somos (e fomos) levou um abanão. Eles representam-NOS! Sentimos um dia uma tal cumplicidade que temos a sensação que só nós e eles é que percebemos o que quer que haja para perceber em determinadas alturas.
Não fui eu que perdi um ídolo. Este é o ídolo do meu irmão que um dia fez com que ele desejasse ser um "Teenage Idol". Que também sonhou e chorou comigo algumas vezes.

Teenage Idol

He never did much good when he went to school
Too many teachers there were to many rules
A dirty face kid he was never outta trouble
His mom and papa told him better get out on the double
But when he heared that music on the radio
He knew one day he was gonna be a teenage idol

He quit his job in the factory
He was tired if makin' peanuts so jumped out of the tree
He couldn't wait another day to get out of that place
He punched the clock and he broke its face
But when he heared that music on the radio
He knew one day he was gonna be a teenage idol

He's a teenage idol
He knows how to rock and roll
A teenage idol
He's way out of control

He ditched his chick and he sold his car
He bought himself a hot guitar
He joined a band and they cut some tracks
He hit the road and he's never looked back
And now they're playing all his records on the radio
Ans everyone knows that he's gonna be a teenage idol

He's a teenage idol
He knows how to rock and roll
A teenage idol
He's way out of control

And now they're playing all his records on the radio
AnD everyone knows that he's gonna be a teenage idol


sábado, 5 de fevereiro de 2011

De mãos dadas

É Sábado. Acabei de o deixar numa das suas actividades de fim de semana e segui caminho. Dormi pouco. Acordei cedo. Ainda assim, não sinto o peso das horas não dormidas. Caminhar pelas ruas cheias de gente que não vejo, sem ir a lugar nenhum, parece-me, neste momento, perfeito. Começo a ouvir ao longe uma melodia que brota de um canto da rua a partir de um qualquer saxofone. Tenho a sensação que não indo a lugar nenhum, em algum lugar me vou encontrar. Paro para um café. Sento-me numa das mesas que estão na rua e ao som continuado do saxofone partilho um café comigo mesma. Sem mais, a hora aconteceu. Levanto-me e caminho em direcção certa. Desta vez sei para onde ir. Aproximo-me, ouvindo um piano. Depois, silêncio. Abre-se uma porta e uma mão procura a minha. Só a minha. Agarramo-nos com força. A caminhada é agora a dois e sabemos bem para onde vamos. Se não soubéssemos, não faria qualquer diferença. Íamos de mãos dadas. E o realmente importante era isso.
Ah! E nunca nos largarmos!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

diário - 01/02/2011

Gustav Klimt, O Abraço

Olho o nada e vejo um sorriso. 
Abraço imagens. 
Deixo envolver-me em pensamentos. 
Nas mãos o nada que não largo. 
Que com ambas as mãos agarro. 
Olhos cerrados. 
Enrolo-me em mim. 
Encolho-me pequenina.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Foi um momento...


O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não?

Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido,
Mas tão de leve!...

Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida
Há uma coisa
Incompreendida...

Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço?
Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.

Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Bem vinda, Fadinha dos Dentes

Coloquei este mesmo sorriso num post há uns tempos atrás. Hoje, apetece-me voltar a colocá-lo aqui. A razão continua a ser o sorriso, mas, desta vez, é porque este sorriso que ilustra o texto, exactamente assim como é,  começou hoje a dar sinais de que não voltará a sê-lo. Não quero com isto dizer que algo menos positivo aconteceu e que este sorriso lindo se inibiu de brilhar. Não. Há-de continuar a brilhar e sempre com muita intensidade. Terá apenas uma aparência diferente. 
É curiosos que a partir de uma certa altura da nossa vida sempre que falamos sobre a passagem do tempo, salientamos em nós aspectos que consideramos menos positivos e fazêmo-lo, até, de forma muito pouco efusiva... E falamos nas rugas.  E falamos dos cabelos brancos. Ou na ausência de cabelo. E falamos na falta de memória. E nunca nos ocorre com a mesma rapidez de raciocínio que há formas tão mais encantadoras de tomarmos consciência de que o tempo passa! O tempo também traz na sua passagem marcas que nos enchem o peito, como os sinais de crescimento dos nossos filhos. Entre a primeira vez que aqui coloquei este sorriso e agora, passaram dois anos e três meses. Este sorriso do meu filho não voltará a ser assim, simplesmente porque o primeiro dentito lhe caiu hoje. Sinal do tempo. Muito bom sinal!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

"A Minha Agenda" da Caderneta de Cromos

Este Natal alguém me deu de presente "A Minha Agenda" da Caderneta de Cromos do Markl. Confesso que achei um piadão! Também ganhei o livro, mas como gosto mesmo muito de agendas (acho que ainda nunca tinha dito isto aqui =))), estou a afeiçoar-me mais à agenda. Para além do objectivo prático, funcional da coisa, (sim, e eu também já sei que estamos numa era tecnológica e que já ninguém usa agendas em papel), o que dá sempre muito jeito, a agenda traz algumas curiosidades que tiveram lugar nos anos 70 e 80 e traz notas, pensamentos, constatações do universo do próprio Markl por essa altura.
Ora bem, nem sequer é o facto de ter sido 'o' Markl a redigir estes apontamentos o que me despertou o interesse. É mesmo só por serem pensamentos - arriscaria dizer - típicos de meninos na adolescência e pré-adolescência. De facto, e embora a minha vida, de alguma forma, esteja muito relacionada com o universo adolescente, tenho tido algumas revelações no que diz respeito a este mesmo universo nos anos 80.
Imagine-se que os meninos faziam listas de meninas nas quais agrupavam nomes daquelas que eram "para casar" e "para coiso", (palavras do Markl). Já agora, os primeiros nomes que figuravam na lista do autor eram a Kim Wilde "para casar" e a Samantha Fox para "o resto". Surprise, surprise! Não sei de diga coitada da Sammy Fox ou coitada da Kim Wilde. Mas tendo em conta que, na agenda, consta uma citação da primeira que diz " Tenho dez pares de sapatilhas, um para cada dia da semana.", acho que é difícil não saber de quem tenho pena (digo eu, vá).
Depois, tinham cassetes com listas de musicas classificadas como "musicas para abanar o capacete" e "musicas para pensar em coiso".
Curioso, também, fazerem listas com nomes de meninas para quem enviariam cartões no Dia dos Namorados. Ou seja, fica-se com a ideia de que não havia uma menina em especial a quem desejariam mesmo enviar um cartão. O que vem à rede é peixe parece fazer muito sentido neste caso.
Moral da história, não sei se gostei de saber desta constante das listas para tudo no universo dos meninos adolescentes dos anos 80...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Qual foi a última vez que alguém vos desafiou a fazer uma loucura?

Passamos a vida a querer que esta seja loucamente saudável e que funcione como deve ser. Temos as nossas pequenas loucuras quando andamos na escola. Fazemos asneiras a ver até pisar o risco. Na puberdade achamos que temos o mundo aos pés e mesmo sem fazer nada de especial sentimo-nos especiais. A não ser que já se tenha decidido dentro do ventre materno ter uma espécie de complexo que nos impede de achar que o mundo é nosso (como um grande autor já referiu). Depois namoramos, casamos e temos filhos, não necessariamente por esta ordem. Há aqueles que fazem tudo como manda a etiqueta e acabam acomodados a uma vida planeada à medida. Outros há, porém, que não se acomodam mesmo quando se casam e que sabem o valor da loucura saudável. 
Foi o que me aconteceu este fim-de-semana. Alguém disse: - venham e eu disse: - “bora” e lá fomos. Fizemos 1200km, conhecemos pessoas espectaculares e voltamos a tempo de continuar a vida nos moldes normais. Uma pequena loucura que durou 24h. Nada planeado. Uma verdadeira alucinação. A vida deveria ser assim, vivida com muitas emoções de liberdade sem pensar nos “e se”. Deveríamos fazer unicamente o que a nossa loucura saudável dita.



Celeste Silva

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Voltar à Terra

Moro longe da minha terra natal. Morar-se longe da terra natal nem sempre é um processo fácil. Dependendo de cada um de nós e do factor ou factores que contribuíram para tal, muito provavelmente, o afastamento terá trazido momentos de grande tristeza e dor, principalmente naqueles primeiros tempos que se seguem à mudança. Com o tempo, acabamos por nos adaptar e mais tarde, muitos de nós, já nem conseguem conceber a ideia de voltar a viver na terra que nos viu nascer.
Sair do ninho, não sendo fácil, é um período de enorme crescimento e enriquecimento pessoal. Se for como no meu caso, o ir para a universidade, seremos de alguma forma obrigados a aprender a dividir o nosso espaço e as nossas coisas com estranhos. Estranhos estes que passam a fazer parte do nosso íntimo e tornam-se o mais próximo que temos de família. Uma nova família.
Com o tempo, descobrimos que precisamos uns dos outros. Estamos longe de casa. Longe de tudo o que é “nós” e precisamos de nos apoiar uns nos outros. Tornamo-nos dependentes afectivamente destas novas pessoas, deste novo lar, desta nova noção de família. As partilhas nesta família são diferentes, mas muito interessantes, fascinantes até, em alguns aspectos. Moldamo-nos. Crescemos. Aprendemos a viver uma nova ideia de vida.
Houve alturas em que pensei muitas vezes que as pessoas que não têm que sair do meio em que cresceram e ao qual pertencem, por todas as razões, eram umas sortudas. Nunca passaram pela dor da separação. Nunca sentiram o coração apertadito nem lhes brotou do olhar uma lágrima de saudade. Neste momento, não penso da mesma forma. A dor da separação não a terão sentido, mas a alegria de conhecer novos universos humanos, de contar e ouvir experiências, de saberem que existe outra forma de mundo para além daquela que os moldou, será algo que nunca conhecerão. Nunca experimentaram outro molde.
Tudo nesta vida é relativo, as coisas só têm a importância que lhes damos, é um facto. Mas também é um facto que, com esse tipo de raciocínio, poderíamos optar por não dar importância a nada e que espécie de vida teríamos nas mãos, então?
Seja como for, o regresso à terra é sempre uma grande alegria. O tempo para colocarmos as conversas em dia com os amigos de infância e família nunca chega, são já muitos meses, muitos anos de distância. Nunca a troca de mimos será suficiente para colmatar tanta ausência. Enquanto estamos, os dias enchem-nos e esvaziam-nos, mas completam-nos tanto!
Quanto às partidas, bem, cada uma delas, todas, vão acrescentando um bocadinho escuro ao coração, que se junta aos outros que já lá estão, tornando o pedacito escuro cada vez maior. O pedacito escuro só aparece nas partidas. A cada regresso, o coração esquece-se dele, mas ele volta a lembrá-lo sempre que está lá.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Um Sopro no Natal

A capacidade de arrependimento é algo que não tenho. Acredito na minha intuição, é ela que me tem guiado nestes anos todos de vida (excepto num período de 2 ou 3) por esta razão trato-a bem. Quero eu dizer com isto que tento incutir em tudo aquilo que faço a capacidade de usufruir sem me preocupar com os outros. Não faço nada que prejudique terceiros, pelo menos acredito nisso. Mas sou uma humana dedicada a tudo e muito pouco dedicada ao que não me interessa. Tal como já o disse num post anterior tudo o que faço tem uma intensidade própria do momento, penso que deveria acontecer com nós todos. Sei, no entanto, que tal não acontece, por aí há muita gente que não sabe muito bem porque come! Voltando à intuição digo-vos que esta diz-me exactamente quando estou preparada para ler. Isto porque quero ser surpreendida pelo livro, pela escrita ou pela história. Esta é a razão que me faz ler quando sei que tenho que ler, quando sinto que o tenho que fazer e, quando isto acontece, tudo à volta pára para que eu possa chegar ao fim. Estou numa idade em que já aprendi a deixar de lado as tretas que me fazem perder tempo, provavelmente já não viverei o dobro. Portanto há que aproveitar os segundos. Assim foi o dia de hoje. Há já algum tempo que o livro me chamava à atenção mas eu sabia não ser a hora exacta. Entretanto li uma entrevista em que o José diz que o seu último romance Anjo Branco era precedido da Vida num Sopro e achei que esta era a razão da minha espera. O facto de não ter lido o primeiro prendia-se com uma intuição para ler o resto da história. Mais uma vez foi isso que eu fiz hoje, dia de Natal, entre comer e beber e cozinhar, o livro andou pegado às minhas mãos e num autêntico sopro foi lido. Amanhã comprarei o outro. Não me arrependo de ter dedicado um dia inteiro a viver uma história deveras rica e a pensar que há pessoas com vidas realmente arrebatadoras, completamente alucinantes. E há muitas outras que nem com livros lá chegarão!


Celeste Silva

sábado, 18 de dezembro de 2010

30 seconds to mars - A emoção escaldante

Ele há coisas que eu sei que quero fazer na vida e muitas delas são partilháveis. Assim que os bilhetes foram postos à venda comprei dois, a quatro meses do concerto, não porque tivesse medo que esgotassem mas para não ter desculpa de não ir. Um dos bilhetes era inquestionavelmente para a minha filha porque partilha comigo a mesma emoção relativa ao trabalho de Jerad Leto e não perderíamos uma oportunidade de o ver de perto e de poder “cantar” e dançar com ele.
Lá nos pusemos a caminho no dia do concerto depois das aulas, chegámos ao local a tempo de ver umas filas inacreditáveis de adolescentes maioritariamente femininas com cobertores em cima, faziam uns míseros 9º em Lisboa, às 18h. Rapidamente entrámos no centro comercial para aquecer e comer, esperámos que as filas começassem a escoar e lá fomos nós. Para mim um concerto nunca é só um concerto, há sempre um envolvimento mais alargado em tudo o que faço, os momentos antes, os durante e derradeiramente os depois. Neste senti que estava próxima de Jerad Leto pelo menos na idade uma vez que estava rodeada de muitos filhos, alunos e sobrinhos. Pensei que iria ser um desastre com tantas crianças por ali espalhadas. Dou a mão à palmatória, as crianças portaram-se bem, gritaram e desmaiaram o que fez com que a segurança da banda tivesse vindo dar água à boca das espectadoras. Tinham as letras na ponta da língua e de tanto suar e gritar desidrataram. Muito hidratado estava o Mr. Leto, um verdadeiro showman (lembro que ele tem uma carreira cinematográfica a ter em conta). Quem diria que este senhor com 40 anos, a fazer ainda este ano, teria aquele aspecto de quem acabou o liceu e que anda à roda como se estivesse ligado a uma banda larga. Fez mais do que dar um concerto, deu um autêntico e original espectáculo, com um palco muito simples, sem grande iluminação nem jogo de luzes valeu ele e a banda e esteve à altura dos grandes. Do resto do grupo só posso dizer que se não os conhecesse também não os ficaria a conhecer. Tomo tem o cabelo pela cintura e escondeu-se atrás do mesmo e Shannon sentado na bateria concentrou-se de tal forma que só no fim consegui ver-lhe a cara quando agradeceu. A minha filha, Sofia, diz que ele nunca sorri, provavelmente tem a ver com a infância triste que partilhou com o irmão Jerad. Foi por isso que Jerad se dirigiu ao público dizendo que tal como eles, nós, os portugueses, apesar de pequenos somos uns sobreviventes. Passou, também, a ideia que acredita unicamente no bater dos corações, na sua energia e na verdade daquilo que somos, declarando guerra a tudo o resto. Preocupou-se desde o início em que se passasse ali uma noite memorável e que acreditássemos nas letras e na mudança para um mundo diferente. Resta-me dizer que vibrei tanto que ainda me dói o corpo, que me soube a pouco e que estaria ali até sair desidratada como as pequenas que já referi. Levaram-me a Marte e por lá andei duas horas a abrasar.  

Celeste Silva








quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O mundo à minha maneira

"o tenho a pretensão de que todas as pessoas de quem gosto, gostem de mim, nem que eu faça a falta que elas me fazem. O importante para mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível, e que esse momento será inesquecível"

Acabei de ler esta citação algures na internet. Acho isto, como muitas outras citações que por aí circulam, muito digno e nobre. Ficar-me-ia muito bem dizer que a subscrevo inteiramente, imagino. No entanto, não sou capaz de (e por mais que me ficasse bem) dizer que concordo com ela ou que é a minha máxima de vida. Realmente, não é.
Talvez nem sempre, mas sei que tenho a pretensão de que todas as pessoas de quem gosto, gostem de mim, também, e, de igual forma. E gostaria muito de saber que sentem a minha falta da mesma forma que sinto a falta delas. Parece-me que se gostamos de saber que num momento fomos importantes, melhor ainda sabermos que somos sempre importantes. 
É óbvio que o que digo não existe, o que não quer dizer que não gostaria imenso que existisse. Aliás, se pudesse, não seriam só as citações que mudaria. Grande parte do mundo ou do que nele existe, eu mudaria também. À minha maneira. 

domingo, 5 de dezembro de 2010

A minha agenda de 84/85

Sempre gostei de agendas. Digo sempre porque desde que me entendo por gente que tenho uma. Tenho fases em que sou mais dependente delas outras em que nem tanto, mas tenho sempre que saber que ela existe em algum recanto da minha bolsa para qualquer eventualidade, para escrita ou consulta.
Nos meus tempos de teenager adorava exibir as minhas agendas. Não sei se eram assim tão diferentes das que existem para os miúdos de hoje, mas iguais às minhas, no meu circulo de amigos, na altura, ninguém tinha.
As minhas eram presente de uma prima que vivia na Holanda e que todos os anos se lembrava de comprar uma igual à dela para mim e enviar-ma. Ora bem, isto, em termos funcionais, trazia alguns obstáculos (a dita cuja vinha em holandês), mas a utilização que eu dava às ricas agendinhas ultrapassava-os.
A minha agenda de 84/85, por exemplo, ficou espectacular, por assim dizer. Espectacular porque, para além de todas as fotografias dos meus idolos de então que a própria trazia, eu "enriquecia-a" com quadras, citações, pensamentos, poemas... cujos conteúdos faziam as delícias do meu coraçãozito adolescente. Depois, colava-lhe também imagens que recortava de revistas (da tal "Coquete", da tal "Miúda" e outras), criando uma espécie de bolsinhas que me permitiam guardar lá dentro outros recortes que poderiam fazer falta para colar em algum lugar (capas, cadernos, quarto, bilhetinhos para as amigas...). Hoje parece não fazer grande sentido, mas na altura fazia todo. 
Agora, dá-me um gosto imenso olhar para tudo isto. =)








sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Lyrics

Nos dias de hoje, quando queremos saber a letra de uma qualquer musica que ouvimos e não conseguimos memorizar, é tão fácil encontrá-la! Computador. Lyrics. Googlamos. Ela aparece. Para colocar excertos das mesmas no Facebook, então, é um mimo.
Quando eu era miúda, para conseguir as letras das musicas das canções que gostava, e das quais não tinha o disco (os discos quase sempre traziam as respectivas letras), havia duas coisas que fazia: depois de as gravar da rádio (RFM, no caso), para uma cassete (processo que podia levar algum tempo, pois era certo e sabido que um locutor iria falar já depois da musica começar ou antes de ela terminar), era carregar no play, no pause, puxar a fita para trás, puxar para a frente, até conseguir passar para o papel a dita letra. O outro processo, era comprar as revistas onde tais letras pudessem vir publicadas. Na Bravo, podia ser, mas ainda antes de ter descoberto a Bravo, costumava eu comprar duas revistinhas pequeninas muito engraçadas e interessantes (achava eu na altura) que se chamavam "Miúda" e "Coquete", nas quais havia uma letra diferente todas as semanas. Recortava as letras e levava-as comigo quase sempre, numa daquelas bolsas de plástico da capa da escola, para quando me faziam falta. E faziam falta, por exemplo, nos intervalos das aulas, quando surgia a oportunidade de ouvir umas musiquitas e convinha ter à mão a letra para poder acompanhar até memorizá-las totalmente...
Guardo algumas até hoje (tenho grande carinho por esta recordação). Guardarei sempre.
Penso que as fotografias falam por si.



sábado, 30 de outubro de 2010

Life as we know it...

é o nome do filme que acabei de ver. Não. Desta vez não vou elogiar actores ou comentar a relevância dos conteúdos abordados. Desta vez vou mesmo é relatar uma das cenas que surgem logo no início do filme, quando os protagonistas se conhecem (blind date).
Cumprimentaram-se pela primeira vez e decidiam o restaurante onde iriam jantar quando colocaram as "cartas na mesa", pois acharam que a coisa não iria correr bem... A mocinha ainda se dispôs a fazer o sacrifício, mas o herói convenceu-a de que talvez não fosse uma boa ideia. Boa ideia mesmo seria ele sair com os seus amigos(as) e ela, bem, ela... talvez fazer o que raparigas como ela costumam fazer a um Sábado à noite, tipo, "read... and blog... do you have a blog?... You look like a person who has a blog..." Relevância deste post: Should one be worried?????

A banda sonora do filme? De primeira! Ora vejam:

domingo, 24 de outubro de 2010

Nós sós dava tanto jeito!

Às vezes tentamos, lutamos, esperamos, resistimos, insistimos e... cansamos, inevitavelmente. Expiramos. Baixamos o olhar. Os braços, também. Decidimos ir em frente, tem que ser, se não por nós, por alguém há-de ser, mas já não é em frente que olhamos. Espetamos os olhos em cada pedaço de chão e ansiamos por chegar ao destino sem qualquer tipo de abordagem. Calamos. Só nos queremos a nós e estar connosco. Tornamo-nos egoístas de nós mesmos e gostamos de nós sós. Nós sós somos os maiores. Nós sós não nos decepcionamos. Nós sós sabemos com o que podemos contar. Nós sós ficamos bem com o muito e com o pouco. Nós sós não esperamos, nem pelo tudo nem pelo nada. Nós sós não nos atrasamos nem nos adiantamos. Nós sós não queremos, mas também não deixamos de querer. Nós sós sonhamos e só nós sabemos o que sonhamos e sabemos que não passa de um sonho e, mesmo assim, não nos envergonhamos de o sonhar. Nós sós vivemos a vida que somos nós e deixamos viver. Nós sós dava tanto jeito!
Às vezes é tão difícil não desistir.

Mais do que palavras... XIX




 Como é possível perder-te
 sem nunca te ter achado
 nem na polpa dos meus dedos
 se ter formado o afago
 sem termos sido a cidade
 nem termos rasgado pedras
 sem descobrirmos a cor
 nem o interior da erva.

 Como é possível perder-te
 sem nunca te ter achado
 minha raiva de ternura
 meu ódio de conhecer-te
 minha alegria profunda
Maria Teresa Horta 

sábado, 23 de outubro de 2010

Castelos de areia

Sempre gostei muito da Julia Roberts! Por variadíssimas razões, que não me apetece enumerar agora, mas, principalmente, porque quando caminha "mete" os joelhos para "dentro", facto que me deixa felicíssima, pois é bom saber que há mais como eu e, ainda assim, huge!
Gostei da Elizabeth Gilbert, por variadíssimas razões, mas, principalmente, pela sua restless nature, facto que me deixa felicíssima, pois é bom saber que há mais como eu e, ainda assim, huge.
Gostei do filme "Eat, Pray, Love" e ainda estou a gostar do livro...
Orgulho em ser mulher. Enorme orgulho em ser memyselfandi.
Castelos de areia? Muitos!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sweet 18

De manhã, no cabeleireiro, apareceu por lá uma miúda encantadora que irradiava fresquidão e toda ela era sorrisos. Queria ficar bonita, disse, pois era o dia do seu aniversário. 18 anos. O telemóvel não parava, sms's que não acabavam mais e lhe iluminavam o rosto com sorrisos cada vez mais bonitos. De todas as que lá estávamos, era ela a mais novinha. Por alguma razão, o nosso instinto maternal, aliado ao facto da miúda nos fazer lembrar os 18 anos de cada uma de nós, criou, naquele lugar, um ambiente terno e todas parecíamos torcer para que a rapariga não parasse de sorrir e de partilhar o que lhe ia na alma. Telefonema do pai, felicidade imensa estampada naquela carita. Telefonema da mãe, reacção semelhante, mas mais efusiva, porque esta a informou que tinha colocado na sua conta  150 euros para gastar no que lhe apetecesse. Bem! Até lágrimazita no canto do olho nós vimos e tudo! A miúda era tão transparente! Lembrou-me alguém. Comentámos, mais tarde, como seria bom ficarmos tão intensamente felizes pelo simples facto de nos terem oferecido 150 euros. Não quero eu dizer que 150 euros é pouco, de maneira nenhuma! Embora não me possa queixar no que diz respeito às minhas prendinhas de aniversário por esta altura, que foram sempre algumas (família numerosa), não me recordo de ter recebido uma prenda de 30 contos de uma só vez! O que todas questionámos, acho, foi o facto de já não termos a capacidade de sorrir desta forma, com o coração infinitamente feliz por uma coisa tão singela...
Como eu desejo àquela miúda que continue a irradiar "luz" desta forma e que nunca deixe de ter a capacidade de soltar uma lágrima de felicidade por cada gesto de carinho que receba.

Foto: Memyselfandi, 18

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Concerto dos U2: o que nem todos viram...

A pedido da Dona deste cantinho tão interessante, vou falar um bocadinho daquela que é a “melhor banda da actualidade” e da minha segunda experiência num concerto da mesma. 
Estou, para quem ainda desconfia, a falar dos U2. Como tantas vezes ouvi dizer estes últimos dias, a maior empresa da Irlanda. Ora, se nós somos a maior empresa, seja do que for, temos que, obrigatoriamente, ser muito bons…como é o caso!
Os U2 actuaram sábado e domingo, dias 2 e 3 de Outubro, em Coimbra, tendo estado em Sevilha no dia 30 de Setembro. Três concertos mais que seguidos. Isto requer, obviamente, muito esforço e, sobretudo, muito profissionalismo. Diz quem esteve na noite de dia 2 que o concerto foi indescritível e memorável. Eu não posso dizer exactamente o mesmo. Foi seguramente um concerto que ficará na minha memória como tantos outros. Na minha memória ficará (não por ter ficado à frente uma vez que no anterior também fiquei, mas  talvez porque estou mais observadora) um profissionalismo e uma camaradagem impressionantes. 
O vocalista, Bono, como sabem, foi operado recentemente à coluna e apesar de nos ter dito que queria fazer daquela noite a melhor dos nossos dias não creio que para ele tenha sido. Quando cantava Mysterious Ways’ magoou-se e continuou o concerto em perfeita agonia que só quem viu entendeu como ele é, acima de tudo, “O Bono”. Em ‘Magnificent’ engasgou-se de tal forma que só após um membro da equipa de apoio o ter ajudado e à custa de muita água, conseguiu acabar de cantar. Devo dizer que saí do concerto impressionada com o grupo, o entendimento e a entreajuda. Nenhum dos outros membros da banda brilhou mais que o próprio Bono. Acataram uma postura mais intimista o que transformou o concerto numa reunião lá em casa. Eles estiveram o tempo todo na nossa casa, brindaram-nos com um mega espectáculo de cor e efeitos especiais e ao som do “Space Oddity” de David Bowie iniciaram a viagem ao longo de mais de duas horas de magia sofrida e de êxtase dos 45.000 convidados. Momentos especiais como “Sunday Bloody Sunday”, “Where the streets have no name” ou “Elevation” elevaram a um “Beautiful day” todos os que depois de terem apanhado muita chuva os viram abençoados pelo São Pedro sem uma única pinga! Só o poder da música e das boas energias o consegue! 
Entre mensagens de Paz que já caracterizam a Banda, Bono anunciou que o valor dos bilhetes da RED ZONE seria entregue para a investigação sobre o HIV. Para nos brindar com algo diferente e especial, talvez por não estarem tão efusivos, tocaram em primeira mão a canção “Boy Falls From The Sky” que irá fazer parte da banda sonora do novo filme do Homem Aranha. Desta vez e com muita pena minha nenhuma menina subiu ao palco para poder dançar com o vocalista. Pena, de facto. No entanto, entoamos em conjunto e com a coordenação do Bono um “éfe-érre-á’ correspondente à cidade em que nos encontrávamos e com o bom humor e assertividade que os caracteriza, finalizaram o concerto ao som de ‘Singing in the Rain’ de Sinatra com direito a chapéu-de-chuva e coreografia divinamente desempenhada. 
Vi um concerto de uma banda comovida, agradecida, muito profissional que me brindou com uma noite emocionalmente diferente.  


Celeste Silva