domingo, 18 de julho de 2010

Mais do que palavras... XVII


Só te peço...

Só te peço, não venhas tarde demais…
Quando eu já não ouvir o que tens para me dizer,
Quando eu já nem a tua palavra reconhecer,
Quando eu já estiver para te esquecer.

Só te peço, não venhas tarde demais…
Quando eu já estiver a dormir em cima da tua saudade,
Quando eu já não tiver noção da realidade,
Quando para mim já não fores a derradeira verdade…

Só te peço, não venhas tarde demais…
Só te peço, vem agora!
Vem dizer-me tudo o que está certo nesta hora,
Vem dizer-me que o que sinto não se irá embora.
Para quê tanta demora?
Só te peço, não venhas tarde demais…


Renato Machado

domingo, 4 de julho de 2010

Fases da vida

Fase menos-boa. É o nome que dou à fase pela qual estou a passar. Se optarmos por classificar a vida nestes termos, andamos sempre a passar por fases, já repararam? Mas só nos apetece falar em fase quando estamos muito bem ou muito mal. Quando vamos levando parece que não é uma fase. Vai-se levando. Pois, para mim, "ir-se levando" também é uma fase e não é lá grande fase. Para mim viver devia ser estar sempre numa óptima fase. Sim, porque uma fase em que se vai levando, não é viver. É deixar que a vida nos viva. É uma concepção meia utópica, bem sei, mas todos devíamos ter o direito a "óptimas fases" SEMPRE!
Oxalá esta minha fase de "vou levando" passe depressa, pois quero muito uma "óptima fase" (que parece teimar em não chegar), mas hei-de vencê-la... nem que seja pelo cansaço!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

E pronto! Viva Portugal!

Lá diz o provérbio, "Se não consegues vence-los, junta-te a eles". E pronto! Não sendo eu uma grande apreciadora da modalidade, volta meia volta, lá dou por mim no meio do "people" a ver os jogos e a torcer por Portugal. E, já agora, que ganhe!



Noite de S. João

Confesso que até há uns 5 anos atrás, as festas de S. João (ou dos santos populares em geral), nunca me entusiasmaram por aí além. Sim, já assisti ao desfile das marchas de Lisboa, já presenciei actividades relacionadas com a época nas escolas inúmeras vezes, nunca passando disso, "actividades", ou acontecimentos que vale a pena ver para podermos dizer que "vimos", pelo menos uma vez na vida. Mas a vida vai-se encarregando de nos alterar as perspectivas das coisas e, desde que o meu filho nasceu, que passei a dar muito mais valor às tradições por me parecer uma mais valia passá-las para ele, dar-lhas a conhecer. É também o nosso papel enquanto pais, dar-lhes a conhecer a nossa cultura e tradições, habituá-los a partilhá-las com a família e os amigos.
Este ano não foi excepção, e a noite de S. João foi festejada como convém, com muita sardinha e animação à mistura.
E viva o S. João!
As Ditas Cujas!

As Ditas Cujas e os amigos

Algures numa casa cheia de amigos

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Companheiros de uma vida

Aproximava-se uma passadeira e vi que ainda do passeio, alguém me fazia um sinal com a mão para que abrandasse, parasse. Era um senhor já com idade avançada e que me pareceu um pouco debilitado. Parei e ele pegou na mão da senhora que o acompanhava, a "sua senhora" muito provavelmente e começou a travessia. Olhava com cuidado e protegia a companheira (companheira de uma vida inteira, tive a sensação). Avançavam vagarosamente, muito juntinhos, e fiz-lhes um gesto para que tomassem o tempo de que necessitassem. O vidro aberto e ouvi a voz do senhor "A senhora tem sorte, ainda é nova!" e levantou-me a mão como em agradecimento. Sorri-lhes. Retribui o gesto. Pensei para comigo que, sorte tinha ele, pois tinha alguém por quem levantar a mão quando atravessasse a estrada. Sorte, tinha ela, pois tinha quem levantasse a mão por ela para atravessar a estrada.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Um dia dos meus

É bem verdade que nem sempre as minhas noites (ou serões, vá) são os mais animaditos do mundo, em compensação garanto-vos que os meus dias são plenos e me preenchem completamente. Não preenchem apenas as horas, o tempo, preenchem, principalmente, a minha pessoa.

Veja-se o dia de hoje, por exemplo. Começou cedo na escola do meu filho pois hoje foi "Graduation Day". Actividades, muitas. Animação, também.




Seguiu-se uma palestra a propósito do "Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social" (a propósito do qual também participei numa marcha).



E a seguir a um agradável almoço com colegas, apresentação de trabalhos.




Peça de teatro e outros afins durante a tarde, pois rodeiam-me pessoas muito talentosas e com muito bom gosto para musica.



E pronto! Não parei um segundo até agora.
A verdade é,( também), que depois de dias assim, qualquer guerreiro (no caso, guerreira) merece um descanso e eu, confesso, que há muitos dias em que fico a cair. Mas com um sorriso de orelha a orelha, note-se!

terça-feira, 15 de junho de 2010

New Look

Fiquem descansados que não se enganaram no blogue. É O Quinto Andar e é mesmo aqui. Tem é uma roupinha nova e tal. Sim, porque mudar faz bem, estagnar não está com nada. Não acham? O rosinha mantém-se, tornou-se a alma do blogue. Espero que gostem da nova decoração e que voltem sempre.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

"E... como foi?

Ora... Não sei contar. Não é nada do que nós pensávamos. É muito mais, não sei, violento, transcendente, não, nada disso. Acho que tem a ver com a terra, com o mar, sim talvez com o mar. E é como se fosses uma gata, uma onça malhada que caísse de um precipício mas que tivesse asas e pairasse entre o céu e o abismo, entre o céu e o abismo no meio do temporal de uma noite, que, afinal, está toda inundada de luar.
Ena!" 




Rosa Lobato de Faria

terça-feira, 8 de junho de 2010

As "nossas" crianças de hoje...

Este artigo de Daniel Sampaio já não é assim tão recente quanto isso, mas, veio parar-me às mãos novamente e achei que talvez não fosse mal pensado divulgá-lo mais um pouco, para o caso de haver ainda alguém que o não tenha lido. Para reflectir... e muito...

Quando um aluno entra na escola às 8h e sai às 20h, tem pai/mãe em média 3h por dia. Que geração estamos a criar?
PUBLICO.PT


Contra a escola-armazém

Daniel Sampaio



Merece toda a atenção a proposta de escola a tempo inteiro (das 7h30 às 19h30?), formulada pela Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). Percebe-se o ponto de vista dos proponentes: como ambos os progenitores trabalham o dia inteiro, será melhor deixar as crianças na escola do que sozinhas em casa ou sem controlo na rua, porque a escola ainda é um território com relativa segurança. Compreende-se também a dificuldade de muitos pais em assegurarem um transporte dos filhos a horas convenientes, sobretudo nas zonas urbanas: com o trânsito caótico e o patrão a pressionar para que não saiam cedo, será melhor trabalhar um pouco mais e ir buscar os filhos mais tarde.
Ao contrário do que parecia em declarações minhas mal transcritas no PÚBLICO de 7 de Fevereiro, eu não creio à partida que será muito mau para os alunos ficar tanto tempo na escola. Quando citei o filme Paranoid Park, de Gus von Sant, pretendia apenas chamar a atenção para tantas crianças que, na escola e em casa, não conseguem consolidar laços afectivos profundos com adultos, por falta de disponibilidade destes. É que não consigo conceber um desenvolvimento da personalidade sem um conjunto de identificações com figuras de referência, nos diversos territórios onde os mais novos se movem.
O meu argumento é outro: não estaremos a remediar à pressa um mal-estar civilizacional, pedindo aos professores (mais uma vez...) que substituam a família? Se os pais têm maus horários, não deveriam reivindicar melhores condições de trabalho, que passassem, por exemplo, pelo encurtamento da hora do almoço, de modo a poderem chegar mais cedo, a tempo de estar com os filhos? Não deveria ser esse um projecto de luta das associações de pais?
Importa também reflectir sobre as funções da escola. Temos na cabeça um modelo escolar muito virado para a transmissão concreta de conhecimentos, mas a escola actual é uma segunda casa e os professores, na sua grande maioria, não fazem só a instrução dos alunos, são agentes decisivos para o seu bem-estar: perante a indisponibilidade de muitos pais e face a famílias sem coesão onde não é rara a doença mental, são os promotores (tantas vezes únicos!) das regras de relacionamento interpessoal e dos valores éticos fundamentais para a sobrevivência dos mais novos. Perante o caos ou o vazio de muitas casas, os docentes, tantas vezes sem condições e submersos pela burocracia ministerial, acabam por conseguir guiar os estudantes na compreensão do mundo. A escola já não é, portanto, apenas um local onde se dá instrução, é um território crucial para a socialização e educação (no sentido amplo) dos nossos jovens. Daqui decorre que, como já se pediu muito à escola e aos professores, não se pode pedir mais: é tempo de reflectirmos sobre o que de facto lá se passa, em vez de ampliarmos as funções dos estabelecimentos de ensino, numa direcção desconhecida. Por isso entendo que a proposta de alargar o tempo passado na escola não está no caminho certo, porque arriscamos transformá-la num armazém de crianças, com os pais a pensar cada vez mais na sua vida profissional.
A nível da família, constato muitas vezes uma diminuição do prazer dos adultos no convívio com as crianças: vejo pais exaustos, desejosos de que os filhos se deitem depressa, ou pelo menos com esperança de que as diversas amas electrónicas os mantenham em sossego durante muito tempo. Também aqui se impõe uma reflexão sobre o significado actual da vida em família: para mim, ensinado pela Psicologia e Psiquiatria de que é fundamental a vinculação de uma criança a um adulto seguro e disponível, não faz sentido aceitar que esse desígnio possa alguma vez ser bem substituído por uma instituição como a escola, por melhor que ela seja. Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família.
Aos professores
, depois de um ano de grande desgaste emocional, conviria que não aceitassem mais esta "proletarização" do seu desempenho: é que passar filmes para os meninos depois de tantas aulas dadas - como foi sugerido pelos autores da proposta que agora comento - não parece muito gratificante e contribuirá, mais uma vez, para a sua sobrecarga e para a desresponsabilização dos pais.
 

© Copyright PÚBLICO Comunicação Social SA

segunda-feira, 31 de maio de 2010

"Night is alright, night is okay..."




Heroes and Saints


Turn the lights down
Rest your case
Leave me lonely, sugar
This honeymoon is alright
State your rights lightly
Leave your wicked minds outside
Time has come, to rest these tired eyes
Forever on, these sacred given vows will sit around by me
They're stronger than anything, than anything
Night is alright
Night is okay
Inside your arms the right fire
God forbid, we'll get ourselves burned!
Heroes and saints, better stand by our side now
By our side
Reason says -
Please don't break,
Fortune is the way it swings
Surely we'll get by.
Treason lives, and whenever I preach
Deep within, these promises fade.
For lullaby song on these nights of ours
Place our bets in here
To be stronger than anything
Than anything
Night is alright
Night is okay
Inside your arms the right fire
God forbid, we'll get ourselves burned!
Heroes and saints, better stand by our side now


Night is alright
Night is okay
Inside your arms the right fire
God forbid, we'll get ourselves burned!
Heroes and saints stand by our side now


Night is alright
Night is okay
Inside your arms the right fire
God forbid, we'll get ourselves burned
Heroes and saints stand by our side now

On these lonely nights of ours

Nikolaj Grandjean

sexta-feira, 28 de maio de 2010

EU ainda existo!

Terminou hoje definitivamente uma das etapas mais importantes da minha vida. Talvez até a mais importante da vida de um ser humano. Fechei um ciclo de quase 20 anos. Anos de lágrimas de alegria e de tristeza. Anos de partilha, cumplicidade, projectos... anos idos. Anos onde amei, experienciei, sorri, revoltei, sofri e perdi... Principalmente, CRESCI.  Uma quase vida, 20 anos. E todos eles tão necessários ao meu amadurecimento. Principalmente, necessários para a concretização do meu maior projecto de vida, o meu Principezinho. Se voltaria a fazer tudo de novo, não sei. Há fases da vida pelas quais devemos passar para nos tornarmos Gente, parece-me a mim. Afinal, todas as experiências de vida nos enriquecem. Por isso, talvez voltasse. Colhi frutos. Não tantos como os que desejaria ter colhido, mesmo assim, frutos. Não foram anos estéreis, de maneira nenhuma. Ainda assim, foram muitos...
Numa manhã de praia onde calmamente pude desfrutar das palavras de Rosa Lobato Faria enquanto lia um dos seus mais emblemáticos romances, deparei-me com este excerto, no qual uma mulher mais velha aconselhava a uma recém-casada "menina":
" Agora és uma senhora casada, acabou o devaneio. Agora o teu marido espera de ti compostura, prudência, dignidade, beleza e muito amor.
E eu, Paca?  E eu?
Pobrezinha. Não existe mais isso, EU."
Fui algo assim, desta menina. Também eu tive uma Paca na minha vida. Ou várias.
Espero que estejam em extinção. Extintas, até.
EU ainda existo!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Attempts

I used to have a life,
Somehow I had  it fine
Could be I'm seeing it again
Can't seem to find in it the line,
Anymore...

I tend to do the exercise
of looking back and back again
till my eyes look dazed
as if nothing existed, then.

The hours, the moments,
the rush of events,
Still living here now,
Still making no sense.

Maybe sense is not to be,
Maybe but a memory.
The hours, the moments,
The rush of events,
A numbness
A madness
A past of attempts...


I used to have a life,
Somewhere I had  it fine
Could I be seeing it again?
Can't seem to find in it the line,
Anymore...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Um herói cá em casa!

Ainda seguindo a linha do texto anterior, sobre o Dia  da Mãe, não posso deixar de partilhar aqui (mais uma vez) o meu grande orgulho no meu pequenino. Eu sei! Sou tão babada, mas tão babada que se sentem inundados, verdade? Continuando. Há uns dias atrás teve a primeira competição de Karaté da vida dele.
 Eu, nervos muitos nervos, mas a fingir uma calma que não sentia para que ele encarasse o exercício com naturalidade.
Ele, avançou para o centro do tapete rodeado de gente por todos os lados no meio de um pavilhão de competições subitamente gigantesco, pequenino como é, com a coragem de um leão e determinação que muito pouco adulto tem!
O meu peito explodia de tanto orgulho e o meu rebento surpreendeu-me de uma forma que eu não esperava. E era vê-lo ali a fazer o seu papel lindamente como se ninguém lá estivesse para perturbá-lo quando, na verdade, muitos estavam. O meu filho é um herói e, se me permitem, é liiiinnnndddddooooo!!!




Já agora, há mulheres que também fazem isto... Meus caros, se fazem! Cuidado com elas!


"Sou Mãe e Adoro"

Há um grupo no Facebook que se intitula "Sou Mãe e Adoro", e é exactamente por isto, por ser Mãe e adorar, que festejo com enorme alegria o dia que é dedicado às mães.
Todas as Mães um dia não o foram, e saberão compreender a diferença do significado que este dia tem antes e depois de o serem.
Quanto a mim, o dia passou a ser como um mimo sem igual que foi criado especialmente para mim e no qual, mais uma vez, tenho a oportunidade de usufruir do amor incondicional do meu filho. Para ele é também um dia especial. E é-o porque até então guarda os presentinhos que tem escondidos há uns dias para finalmente dar à Mãe. Não. Não os comprou. Embora com ajuda, fê-los com as suas pequeninas mãos para mim.
No próprio dia não arranjei tempo para passar por aqui e desejar a todas as Mães um excelente dia com os seus filhotes, mas mais vale viver a vida do que escrever sobre ela (onde é que eu já ouvi isto?!) e estava demasiado embevecida com o meu príncipe para vir aqui postar qualquer coisita.

As minhas prendinhas








 PS - E ainda ganhei uma interpretação magnífica da musica do Rui Veloso adaptada para as mamãs! Ai não!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Coisas minhas...

Gostaria neste, como em tantos momentos, de ter as palavras certas para transpor para a escrita todo o emaranhado de sentimentos que sinto dentro de mim.
Talvez começando elas ganhem vida, se multipliquem e sózinhas se organizem e façam sentido.
Talvez elas façam, porque muito pouco vejo eu que o faça. É talvez lugar comum ouvirmos perguntas deste género, mas a mim apetece-me mesmo fazê-las também, tipo, "Porque temos nós que ter coração?", "Porque é que a vida é assim?", Porque não tenho eu um interruptor que possa desligar de alguns sentimentos?", "Porque não existem pílulas para as feridas do coração?"
Como gostaria eu de ter essa capacidade de virar as costas às coisas que magoam e nunca mais olhar para elas!
Como me é difícil conciliar o sono quando desesperadamente aguardo que chegue pois a ele preciso de me agarrar!
É-me, ainda, tão difícil acordar e encarar o que magoa como um sonho mau, apenas, que em breve passará.
"Experimenta sorrir!"- Dizem-me uns. "Esquece!" - Dizem-me outros. Tudo bons conselhos. Eu sorrio, se quiserem. Eu digo que esqueço. Eu digo sim a tudo isso. E de cada vez que o digo, o coraçaõzito vai encolhendo de embaraço porque sabe que o sentimento volta e ninguém vai querer saber dele para nada...

Mais do que palavras... XVI

Não ser

Quem me dera voltar à inocência
Das coisas brutas, sãs, inanimadas,
Despir o vão orgulho, a incoerência:
- Mantos rotos de estátuas mutiladas! 


Ah! arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo ao entardecer,
De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!
...
Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
- Sem nos dar braços para os alcançar?!...


Florbela Espanca

quinta-feira, 22 de abril de 2010

"Sóis"

Se ignorarmos aquela horinha de chuva matutina, podemos afirmar veementemente que esteve um dia de Sol magnífico!
In fact, hoje, tudo à minha volta tinha o brilho do sol. O acordar do A. (a quem o João Pestana não queria de maneira nenhuma largar de manhã), o sorriso das pessoas na rua, no trabalho, o lugar cheio de um verde fantástico onde passei a tarde...
Um dia magnífico de Sol e de Sóis.
Oxalá a lua brilhe na minha noite com igual magnificência!

"A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias"

A frase de Alberto Caeiro que acompanha o título d'O Quinto Andar parece que nunca me fez tanto sentido como nos últimos dias. Uma sucessão de acontecimentos tem contribuído para este facto. Um, em especial.
Num dia como tantos outros, passava pela sociais da net para o costumeiro "what's up" quando me inteirei de que um amigo com quem não falava já há algum tempo ia partir. E daí? Todos partimos e regressamos de algum lugar, eventualmente, verdade? Pois não foi assim que recebi a notícia. Na realidade, nem tinha que a receber, não era para mim. Mas a ideia da partida foi-me estranha. Pareceu-me definitivo. Não gosto de coisas definitivas. O definitivo assusta-me.
Não deixa de ser curioso que, se não tivesse havido a coincidência e eu de nada tivesse sabido, provavelmente partiria, regressava e eu não teria sentido a estranheza da sua ausência. A ausência de alguém que sempre esteve ausente, engraçado.
O facto é que por alguma razão eu soube. Poderia nada ter mudado, lógico. Mas mudou. Mudou dentro de mim e mudou fora de mim. Há coisas que, por pequeninas que sejam, nos fazem mudar sentimentos e comportamentos. Ainda bem. Se nunca tivesse passado por mim a notícia, teria apenas continuado no entorpecimento de uma ausência que não queria ausente, e nem tinha dado por nada.