domingo, 16 de outubro de 2011

Os professores, por José Luís Peixoto

Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança.
(Artigo |15 Outubro, 2011 – 00:17)


O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.
O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade.
Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.
Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.
Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o entendimento do que significa estar aqui, nesta posição. Em anos de aulas teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo, sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar. Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções.
Recusar a educação é recusar o desenvolvimento.
Se nos conseguirem convencer a desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores. Tenho esperança.


Artigo de José Luís Peixoto, publicado na revista Visão de 13 de Outubro de 2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A importância de um futuro com "oportunidades"

Enquanto miúda, fui crescendo a ouvir os meus pais dizerem “hoje em dia podemos dar-te as oportunidades, no nosso tempo não as havia, por isso, aproveita-as.” Com mais ou menos palavras, este discurso ia-se repetindo periodicamente e sempre que a ocasião fosse propícia a tal e pensava eu porque razão tinham os meus pais que dar tanta importância a esta coisa das “oportunidades”. Hoje, sou mãe e como compreendo o valor de poder dar ao meu filho as “oportunidades” (ou um possível caminho para elas), e como percebo a importância que isso tem! Já dei por mim a pensar que, se calhar, a  importância é tanta, que estou a cair no exagero. Já no ano lectivo anterior me ocorreu que talvez o meu filho tivesse um horário demasiado pesado para a idade dele. Eram tantas as actividades (e responsabilidades) dentro e fora da escola! Decidi, na altura que, este ano, iria reconsiderar e talvez fosse possível que a criança não ficasse com uma carga horária tão densa. Ora bem, isso não aconteceu. Há dias em que tiro o meu filho do quentinho às sete e meia da manhã, porque eu entro às oito e meia (e que culpa tem ele disso, certo?), e doi-me um pouco o coração. Começa o dia na escola mais tarde, mas até lá, já preparou leituras e ditados em casa da ama que o levará, depois, à escola. As aulas terminam a meio da tarde, mas depois tem ainda uma de Apoio ao Estudo. São entretanto horas de sair do recinto escolar e ir em direcção à próxima instituição onde as actividades musicais o aguardam e onde permanecerá por mais duas horas (a primeira será prática e a segunda teórica. Tenho as minhas duvidas quando à eficácia da segunda hora, teoria no final do dia...). Decorridas, então, as ditas, prepara-se, a seguir, para a actividade desportiva (que não pode deixar de ter, o exercício físico é importante), onde permanece, por vezes, mais duas horas. Isto, aos dias de semana, pois ao fim de semana vão alternando torneios e audições entre outros.
Há dias, em que o meu filho está a jantar e os olhitos querem fechar-se num soninho santo. Mas, há dias também, em que ainda existem trabalhos de casa para fazer depois do jantar... 
O horário semanal do meu filho de sete anos, é mais preenchido que o de muitos de nós quando eramos adolescentes (e já eramos adolescentes!) e os tempos eram outros. 
Às vezes converso e aconselho-me com outras mães e oiço-as dizerem: “faz-lhes bem! as crianças devem ter o tempo ocupado”. 
Quantas vezes, quando já dorme, olho para o meu anjito e penso, “descansa, meu amor. mereces tanto!” E então o coração e a razão conversam dentro de mim e tentam chegar a um consenso, o que nem sempre conseguem, mas ambos acabam por se resignar  justificando-se com o facto de que o homenzinho de sete anos terá, assim, a possibilidade de um futuro risonho e cheio de oportunidades. 
E assim vamos levando os dias. A correr. A questionar. A persistir. Tudo em nome das “oportunidades”.
Oxalá eu esteja a fazer a coisa certa e elas nunca lhe faltem!      

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

10 things i hate about you

1. I hate the way you talk to me, and when you don't talk to me at all.
2. I hate it when you say I'm nice, and that you always make me pay the price.
3. I hate your big steps when we walk.
4. I hate you so much when you don't care; it doesn't allow me to dare.
5. I hate the way you're always right, and the way you read my mind.
6. I hate it when you don't try.
7. I hate it when you make me laugh, even worse when you make me cry.
8. I hate the way you make me sad, and when you hurt me so bad.

9. I hate it when you're not around, and the fact that you didn't call.
10. But mostly, I hate the way I don't hate you. Not even close. Not even a little bit. Not even at all.



(daqui, à minha maneira)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Sem a macaca

Acho que devia aproveitar a minha boa disposição para escrever agora qualquer coisinha no blogue, antes que me dê a macaca outra vez. É que se me ponho a pensar no facto de estar a léguas de quem me alimenta a alma, lá se vai a boa disposição. Pretexto, desta vez, não falta. Tenho até uma coisa bem louca sobre a qual vos vou falar!

Pensando bem, não vou.

domingo, 25 de setembro de 2011

diário - 11/09/25

coisa nenhuma. é tudo o que me ocorre escrever sobre o dia de hoje. na realidade, é tudo o que me ocorre escrever sobre o dia de ontem, também. e sobre o de anteontem. se começar a pensar bem na coisa, sou capaz de concluir que há alguns dias que assim é. por isso, não vou pensar. e como não tenho, então, nada sobre o que escrever, fico por aqui. sem dizer coisa nenhuma.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Conversa no Facebook

Ela (no seu estado) - ‎"I'm feelin' like a Monday, but someday I'll be Saturday night" :(
Ele (comentário) - you will always be a summer sunday :)

Eu (a ler isto e a pensar) - Caramba!

e a seguir decidi que ia só ali deprimir um bocadinho, mas depois não me apeteceu voltar mais.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mais vale prevenir

Final de tarde. Tínhamos saído da piscina onde encontrou uma amiguinha da escola. Caminhávamos para casa de mãos dadas. Vinha pensativo. Interrompeu o silêncio.
- Mãe, eu gosto mesmo muito da Carolina.
- Sim? Eu também gosto. É um doce, a Carolina.
- Acho que quero que ela seja minha namorada. Quando for grande, claro.
- Claro.
- Mas, se calhar, vou já falar com ela. Assim ficava logo a saber, não achas?
- O mais possível, meu filho. Fala já com ela.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

AAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARRRGGHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

diário - 11/09/16

 "Não acho que valha a pena."





e caíram em mim como uma bomba.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Lata de bolachas em tons de laranja

Uma vez comprei uma lata de bolachas que ganhou um significado especial. Costumo comprar bolachas em lata, gosto sempre mais do sabor e gosto da ideia de ter sempre uma lata com bolachas em casa. Algo a ver com a infância ou assim. Esta, foi a última que comprei - já lá vão uns meses - e gostei dela ao primeiro olhar. A cor e os motivos eram diferentes. Tons de laranja. As bolachas que vinham dentro dela não demoraram muito a acabar, mas fui comprando mais e colocando lá dentro para a manter sempre cheia. Hoje já olhei para ela algumas vezes. Tenho-a aqui ao meu lado e vou comendo as últimas bolachas que lá estão. Desta vez não voltei (ainda) a enche-la com mais. Porque já não sei se quero continuar com a mesma lata, ou se estará na altura de comprar uma nova.  Pelo menos agora continua aqui, ao pé de mim, e, neste momento, sei que uma nova não saberia ocupar tão bem  o seu lugar de lata de bolachas especial. Há coisas - e pessoas - que têm sempre um lugar só delas em nós. E mais nada - ou ninguém - encaixa lá, nesse lugar que é delas, tão bem.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Dreams

a minha vida está a mudar todos os dias, de todas as formas possíveis. às vezes é sonhada, e nunca o que parece. sei que já me senti assim antes, mas agora sinto-o mais ainda porque a mudança veio por ti. percebo que a trapalhona aqui sou eu. um eu diferente. quero mais, é impossível ignorar isto. impossível ignorar. "eles" (os sonhos) tornar-se-ão realidade. impossível não ser assim. impossível. - de coração aberto, não me magoes. - (mente amiga e compreensiva, fala comigo.)
a minha vida está a mudar todos os dias, de todas as formas possíveis. às vezes é sonhada, e nunca o que parece. um dos sonhos és tu.
sonha comigo.

(as minhas desculpas aos Cranberries pelo abuso descarado - e os meus agradecimentos, também-)

domingo, 4 de setembro de 2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Se calhar, as pessoas deviam andar todas com bolas de cristal


A propósito de um post que um amigo publicou no seu blogue, a indignação e a revolta que nasceram em mim foram tão maiores que não caberia tudo o que me apetece dizer em apenas um comentário ao dito post. E talvez por isso, surja este.
Quanto a mim, os tais "cobardes FDP que nunca têm vergonha" deveriam, sem qualquer sombra de duvida, ser denunciados e, obviamente, condenados de forma "séria" e eficaz para que nunca mais pudessem repetir o crime. Agora, gostaria também de partilhar convosco o complicado que é esta questão da denúncia de um "cobarde FDP que nunca tem vergonha", pois veio-me à lembrança que foi um assunto bastante trabalhado em contexto laboral, que teve direito à presença de alguns membros da APAV, cujo objectivo era esclarecer determinadas questões de natureza similar a esta. O que foi feito perante uma audiência que metia respeito, tendo em conta o grande numero de participantes e só por isso.
Este acontecimento no meu local de trabalho, teve lugar, justamente, porque tivemos conhecimento (de forma indirecta, claro, estas coisas nunca são ditas directamente), de alguns casos que poderiam estar a ser vividos naquela população.
Lembro-me que os oradores falaram um pouco sobre a Associação (objectivos, auxilios prestados, possíveis apoios...), enfim, contextualizaram a intervenção, deram indicações e forneceram as informações necessárias para o caso de.
Seguidamente, foi solicitado à audiência que colocassem questões, caso o desejassem. Era o lugar e (se calhar), a altura certa.
Ora bem, depois de muitas perguntas, o grosso que ficou das respostas dos senhores da APAV foi:
- para haver denuncia tem que haver provas e as provas são (no caso da denúncia ser da própria vítima), muitas vezes, as marcas no próprio corpo;
- no momento seguinte ao da denúncia, o mais provável é que as vítimas tenham de voltar para casa e sujeitarem-se ao que vier depois, ninguém lhes garante um lugar para se protegerem (nem aos filhos, caso os tenham);
- convém que as vítimas saibam que, se forem elas a abandonar o "lar", podem perder alguns direitos no que concerne aos "bens" e aos filhos (?!).
Já quase no final do "esclarecimento", ouviu-se uma voz perguntar: "então, se se pensar nisso tudo antes, o que é que as pessoas "devem" fazer para que a violência não volte a acontecer?".
E de lá da frente veio uma voz com a intervenção mais infeliz que alguém poderia ter tido em contexto similar (ou em qualquer outro, às tantas): "se calhar, o melhor mesmo, é ter algum cuidado ao escolher os parceiros com quem vão ter uma vida em comum".
Acreditem, se quiserem.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

E diz a Marie dos Aristogatos assim e muito bem:

“Ladies do not start fights...but they can finish them!”
                                                          (Disney)


Há gatas muito decididas!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Legenda: Vasco=André

Por aqui ainda foi dia de praia, mas as férias já terminaram ou estão a terminar para muita gente e as temperaturas parece que vão descer. Está na altura. Aqui por casa estamos, também, a terminar o livro de actividades da escola do meu filho, como previsto. Hoje fizemos a última ficha de Língua Portuguesa e apeteceu-me partilhar o texto convosco.

"As férias estão quase a terminar. O Vasco está alegre por voltar para a escola. O Vasco vai para o 2º ano. Ele vai comprar o material escolar que necessita: livros, cadernos, canetas, lápis, borracha... O Vasco está ansioso por encontrar de novo os colegas e a professora Isabel. Ele tem muitas histórias para contar. 
As férias do Vasco foram estupendas!"
(edi9)

Nada mais a propósito!