Quem nunca preferiu um gesto a uma palavra? Quem nunca teve a sensação de estar a ouvir palavras vazias? Quem nunca ouviu sons realizados numa boca de onde o silêncio teria dito muito mais? Quem nunca desejou elevar-se para um mundo onde os sons que certas almas reproduzem seriam mudos? Quem?
"Para falar ao vento bastam quatro palavras, para falar ao coração são necessárias obras."
Recebi um mail com uma lista interminável de "piropos" (ainda por cima devidamente agrupados) que foi do mais delicioso que já li. Enquanto os lia, um sorriso acompanhava e uma gargalhada explodia de quando em quando. Porque uns são delicados, outros não. Porque uns nos fazem sorrir, outros ficar com vontade de pegar numa pedra e partir a cabeça de quem o disse. Porque uns nos levantam o ego, outros o destroem. De todos os que li, apenas seleccionei alguns, é que aqui é o Quinto Andar e a linguagem...
Mereceram a minha atenção e achei que não devia privar-vos de tais pérolas.
Destaquei os das gargalhadas. Capítulo 1 - A rima rica . Ó flor dá para pôr? . Ó doce, era onde fosse.
Capítulo 2 - O trocadilho . Ó febra, junta-te aqui à brasa. . Ó jóia, anda aqui ao ourives. . Andas na tropa? É que marchavas que era uma maravilha. . Tantas curvas e eu sem travões. . A tua mãe só pode ser uma ostra para cuspir uma pérola como tu. . Tanta carne boa e eu em jejum. . A ti não te custava nada e a mim sabia-me tão bem.
Capítulo 3 - A metáfora . Ainda dizem que as flores não andam! . Que rica sardinha para o meu gatinho.
Capítulo 4 - Os ordinários . Ó filha, fazia-te um pijaminha de cuspo. . Ai de ti que eu saiba que andas a passar fome! . Ó faneca, anda cá que o pai unta-te. . Ainda dizem que a fruta verde não se come. . O teu pai deve ser arquitecto, és cá uma obra! . Ó boneca, era a estrear.
Capítulo 5 - A subtileza do povo . Ia até ao fim do mundo por um dos teus sorrisos, e ainda mais longe por outra coisa... . Estou a lutar desesperadamente contra o impulso de fazer de ti a mulher mais feliz do mundo. . Sabes onde ficava bem a tua roupa? Toda amarrotada no chão do meu quarto. . Só a mim é que não me calha uma destas na rifa.
Capítulo 6 - Os religiosos . Diz-me lá como te chamas para te pedir ao Menino Jesus! . Ó filha, queres ir ao céu? Sobe os andaimes que o resto do caminho é por minha conta. . Ó filha, se não acreditas que Deus é feito de carne e osso sobe os andaimes e anda cá tocar-me. . Abençoados pais que conceberam esta coisinha linda!
Capítulo 7 - Os espirituosos . Se eu estivesse no teu lugar, tinha sexo comigo na boa. . Ó menina, cuidado que prendeu-se-lhe a parte de baixo da saia no manípulo da betoneira. . Essa roupa fica-te muito bem, mas eu ficava-te melhor. . Se cair, já sei onde me agarrar. . Acreditas em amor à primeira vista ou tenho que passar por aqui outra vez? . És um bilhete de primeira classe para o pecado. . Queria ser um patinho de borracha para passar o dia na tua banheira. . Deves estar tão cansada, passaste a noite às voltas na minha cabeça. . Posso não ser bonito como o Brad Pitt, nem ter os músculos do Schwarzenegger, mas posso ser uma Lassie.
Capítulo 8 - Quem desdenha… . Não és nada de se deitar fora, já tive pior e a pagar. . Podes não ser a rapariga mais gira, mas com a luz apagada também é bom. . Ó filha, tens carinha de modelo mas o resto é um continente!
Capítulo 9 - Quando a canção falha... . Ai não queres? Eu vi logo, gorda como estás é porque não suas muito. . És mesmo esguia, pareces uma sereia: metade mulher, metade baleia. . Também só queria saber o teu nome para saber em quem estou a pensar.
Saí do cinema com um sorriso de orelha a orelha, mais uma vez.
Já fui ver o filme FAME para a nova geração (caso tivesse duvidas, esta frase que acompanha o filme para todo o lado, seria suficientemente esclarecedora relativamente ao facto de eu ser da "outra" geração), e informo-vos que é um filme "highly contagious" (no bom sentido), digo-vos eu.
Não "bate" o primeiro, o de 1980, contudo.
De maneira nenhuma.
Quer dizer, o astral está lá, o Melting-pot e a filosofia de que somos todos diferentes mas todos iguais e que tão bem ilustra a imensa Nova Iorque também.
Não faltou a famosa Miss Grant, que desta vez era a directora da escola, nem o famoso monólogo introdutório "You've got big dreams. You want fame. Well, fame costs... " faltou.
Faltou alguma coisa, mesmo assim.
Faltou a densidade do primeiro.
Faltou a "força" do argumento do primeiro.
Faltou o Bruno Martelli, a Doris, o Leroy e a Coco.
Se calhar, o que faltou, foi a minha adolescência...
Hoje os tons de azul e branco rodearam o Quinto Andar. Os meus tão apreciados e calmantes tons de rosa do Quinto foram, desde manhã, ofuscados pelas contrastantes nuvens de azul e branco que por aqui deslizavam. Caso eu ainda tivesse duvidas do que se passava, eis a minha vista do Quinto Andar quando vou à varanda e olho para baixo:
Algumas são belíssimas. Outras são profundas. Há as inteligentes. Que dão que pensar. Que fazem sorrir. Que fazem chorar. Que fazem sonhar. Há imagens que, de facto, dispensam palavras.
É nesta linha de pensamento que a partir deste momento vai passar a fazer parte deste blogue uma imagem que fala por si. Não decidi a sua periodicidade, talvez nem tenha uma. Podem ou não ser minhas. Sempre que o não forem, serão os primeiros a saber. Se tiverem sugestões, enviem. Enjoy....
Há uns meses atrás, numa conversa daquelas que às vezes acontece travarmos com alguém, foi-me dita a seguinte frase: "Há mais mundo para além disto".
Embora a afirmação não me parecesse tão eficaz como quem ma disse pretendia, (afinal é óbvio, pois se assim não fosse a humanidade já era), tirei as minhas ilações e até vi algum sentido nela. Já não vejo. Nestes dias de afastamento de tal mundo realizei que o mundo também está aqui. Que não têm que ser mundos diferentes, o outro e este. Que, como outro alguém me disse também, aqui "vibra-se de vida. Os olhos que aqui lêem são reais, tal como os corações que aqui sentem".
Este mundo, faz agora parte do nosso mundo. São ambos um mesmo mundo. E é no mundo que se vive.
Hoje é uma data muito importante para mim. Não é o aniversário de alguém chegado, nem a comemoração de um acontecimento que envolva pessoas, mesmo assim, muito importante.
Faz hoje um aninho que o primeiro texto nasceu neste meu cantinho. E não é que já passou um aninho e sobrevivemos juntos, o blogue e eu?!
Quando comecei a criá-lo pensei tantas vezes se teria a motivação, a inspiração, o tempo necessários para me dedicar a ele e para o alimentar, para continuar... Por vezes tinha uma necessidade enorme de gritar para que alguém me ouvisse. Gritos mudos de revolta, de dor, mas também de alegria. Através do blogue, os gritos não são assim tão "mudos". Descobri que há quem os oiça e me diz que grita comigo. Há apenas quem os oiça. Mas mesmo que eu o não saiba, partilhar o "meu eu" aqui tem a vantagem de me fazer acreditar que alguém me ouvirá. A vontade de gritar até diminuiu! Já só é preciso um careless whisper e é provável que alguém me oiça.
Muito do aqui publicado foi nostálgico, só, triste, até. Ainda assim, muitos momentos houve de animação e musiquinha boa! Talvez se sigam a felicidade, o optimismo, a alegria.
Este blogue não tem, nem nunca teve, a pretensão de servir de fonte de pesquisa a alguém, ou de ser rotulado ou premiado.
Este blogue foi fruto da solidão e do inconformismo, principalmente. Mas foi também motivado pela vontade de "dizer" coisas aos outros, de falar com o mundo.
A todos os que passaram por aqui neste aninho, um obrigado por terem "entrado" no Quinto Andar.
Recebi este mail e não podia deixar de divulgar o vídeo...
"Este vídeo é parte de um trabalho que está a ser desenvolvido no sentido de trazer para primeira página a questão das reformas destruidoras promovidas pelo Ministério da Educação.
O objectivo é conseguir o maior número de visualizações possível, de forma que o vídeo passe a ter destaque na página principal do Sapo Vídeos. Que sabe se não conseguimos mais uma atenção nos media nacionais. (...)
Ontem fui ao cinema. Fui ver um filme que há muito esperava a estreia com duas das pessoas que ligadas ao cinema são para mim favoritas. Denzel Washington e John Travolta.
Mas não vou escrever sobre o filme, vou sim falar na gordura do Travolta. Muito se tem falado da gordura do Travolta e eu também o vou fazer. Lembro-me de o ir ver ao cinema em Staying Alive e na altura o Sr. Travolta tinha tudo no sítio e do meu ponto de vista tinha falta da dita gordura ou pelo menos de alguma dela. A juventude era o item predominante juntamente com um bocadinho de arrogância e muitos movimentos de ancas. Ora ao Sr. Travolta aconteceu o mesmo que a qualquer vinho, amadureceu e requintou. Não me lembro de um único filme em que ele não esteja à altura do papel. Se é para dançar ele dança com ou sem peso a mais, se é para ser mau ele é, se é para rir ele faz-nos rir. Mas isto, claro, é o meu gosto pessoal, penso eu ser partilhado por mais.
Não me parece que os quilitos a mais lhe fiquem mal, não terá um ser humano o direito de não fechar a boca àquilo que lhe dá prazer? Não é nenhum segredo que com a idade e as preocupações os nossos corpos modificam, adquirem traços novos por vezes demasiado vincados. Parece-me que é prodigioso um actor conseguir expor-se durante tantos anos e sobreviver! Este senhor merece a minha admiração por ter atravessado com passo firme a odisseia que é a vida e continuar a ter desempenhos como aquele que vi ontem que mesmo com papel de mau distribuiu elegância. Porque esta nasce connosco e com quilos a mais ou não quem a tem não a perde.
Não dedico aqui as minhas palavras ao Sr. Denzel porque dele nunca se falou que tivesse quilos a mais mas não posso deixar de referir que este Sr. é outro dos espécimes da humanidade com grande estilo e versatilidade do qual não me lembro, também, de nenhum filme que não fosse digno de ser visto. Um bem haja aos dois!
Parece-me que é um sentimento que não nos abandona, uma vez experimentado.
Pode manter-se quieto, disfarçado, mas quando a vida se põe a jeito ou a situação o favorece, salta para fora do seu esconderijo e domina o nosso cérebro por completo, aperta o nosso estômago, acelera o nosso coração.
Mais do que tempo acumulado (anos), são experiências que se acumulam.
As experiências de vida é suposto serem - porque nem sempre o são - liçoes de vida, ensinamentos.
E é assim que tento encarar a passagem do tempo em mim.
Por estas ocasiões os meus desejos vão sempre no sentido de ter aprendido algo no ano anterior que me ajude a melhorar o ano seguinte.
Em cada novo ano, imagino-me, de novo, na margem de cá de um rio. Um rio imenso que novamente será atravessado sem saber se terei a ajuda de pontes ou se terei que o superar mesmo a nado, com braçadas fortes o suficiente para não me deixar levar pela corrente.
Desejo, este ano também, nunca baixar os braços e fazer ainda mais e melhor, tratando de nunca descuidar os tais ensinamentos tantas vezes duramente aprendidos.
Por estas alturas, lembro sempre, também, as palavras de Mafalda Veiga no Restolho: