quarta-feira, 12 de junho de 2013

O que eu gostei de ❤azeitoninhas panadas❤!

@Hard Club, Porto
(que é como quem diz, do fim de semanazinho.)

recadito: se não passaram em Serralves durante o fim de semana, penitenciem-se!

domingo, 2 de junho de 2013

por Oscar Wilde

"I don’t want adult or boring friends.
I want half kids and half elderly.
Kids, so they don’t forget the value of the wind blowing on their faces"

segunda-feira, 27 de maio de 2013

memyselfandi

...went to the movies on a Monday afternoon. all by herself.
"The Great Gatsby", Baz Luhrmann
and enjoyed it immensely!

*(não é por nada, mas não se esqueçam de passar pelo livrinho de F. Scott Fitzgerald com o mesmo nome, sim?)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

'A' Maria faz anos. parabéns à Maria.


pouco amiga do 'politicamente correto', dona de uma irreverência e coragem assinaláveis! escritora, poetisa, jornalista, Mulher. em conjunto com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa aventurou-se com as "Novas Cartas Portuguesas", feito polémico e, a meus olhos, ímpar na história literária e política do meu país.
'A' Maria das 'Três Marias" chama-se Maria Teresa Horta e nasceu há 76 anos.
parabéns e obrigada por existires, Maria.


Onde uma tem 
O cetim 
A outra tem a rudeza 

Onde uma tem 
A cantiga 
A outra tem a firmeza 

Tomba o cabelo 
Nos ombros 

O suor pela 
Barriga 

Onde uma tem 
A riqueza 
A outra tem 
A fadiga 

Tapa a nudez 
Com as mãos 

Procura o pão 
Na gaveta 

Onde uma tem 
O vestígio 
Tem a outra 
A pele seca 

Enquanto desliza 
O fato 
Pega a outra na 
Enxada 

Enquanto dorme 
Na cama 
A outra arranja-lhe 
A casa

Maria Teresa Horta, Pequena Cantiga à Mulher

sábado, 4 de maio de 2013

diário - 04/05/2013

Erin McGuire

["Porque o amor, filho." No fundo é isso: quando penso naquilo que é efectivamente importante para mim, e coloco uma lupa em cima disso, e quando penso no que faz ficar de consciência tranquila de dar aos outros vai sempre dar ao amor.] - José Luís Peixoto, sobre "Abraço".

quinta-feira, 25 de abril de 2013

segunda-feira, 22 de abril de 2013

diário - 22/04/2013

@work, hoje.


mais uma vez debatido. 
e mais uma vez a esperança renovada nas almas lindas que o debateram, tal como eles/elas o são. naturalmente. 
sem mais. 
nem menos...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

eu nunca vi

...o nascer do sol numa praia.


(mas assisti a mais um pôr do sol magnífico!)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

dias úteis...

Dias úteis 
às vezes pretextos fúteis 
pra encontrar felicidades 
no percurso de um só dia 
Dias úteis 
são tão frágeis, as verdades 
que se rompem com a aurora 
quem as não remendaria? 
Dias úteis
mesmo se a dor nos fizer frente
a alegria é de repente
transparente
quem a não receberia?
Mesmo por pretextos fúteis
a alegria é o que nos torna
os dias úteis
Dias raros
aqueles que por amparos
do bom senso e da imprudência
fazem os prazeres do dia
Dias raros
como os ares, Rarefeitos
amores mais do que perfeitos
quem os recomendaria?
Dias raros
em que os mais dados às rotinas
ouvem sinos, seguem sinas
cristalinas
quem as não perseguiria?
Por motivos talvez claros
o prazer é o que nos torna
os dias raros
Por pretextos talvez fúteis
a alegria é o que nos torna
os dias úteis
Por motivos talvez claros
o prazer é o que nos torna
os dias raros
Por pretextos talvez fúteis
por motivos talvez claros


Sérgio Godinho

quinta-feira, 4 de abril de 2013

diário - 04/04/2013



"there's nothing as sad
as a man on his back
counting stars
but, I want to believe
yes, I want to believe


'cuz there's nothing as sad
as a man on his back
counting stars"

(Low, Little Argument with Myself)


sábado, 30 de março de 2013

Nenhuma borboleta é igual à nossa,

mas se vieres daí, Primavera, fazemos uma igual especialmente para te alegrar...

hoje foi dia de iguarias. passámos a tarde na cozinha e, entre outros manjares de fazer criar água na boca, fizemos um bolo "borboleta" para abrilhantar o nosso lanchinho de Páscoa.
e depois, como andamos a fazer de tudo para chamar a Primavera (já devem ter percebido), também achámos que talvez ela se sentisse seduzida pela nossa obra e resolvesse aparecer, finalmente...

a massa tem o dedo (ou as mãos) da mãe também. a decoração é exclusivamente da autoria do André.
para vocês, com votos de...


Boa Páscoa! =)

sábado, 16 de março de 2013

Fragmento, Estética do Artifício

"A vida prejudica a expressão da vida. (...) Eu próprio não sei se este eu, que vos exponho, por estas coleantes páginas fora, realmente existe ou é apenas um conceito estético e falso que fiz de mim próprio. Sim, é assim. (...) Esculpi a minha vida como a uma estátua de matéria alheia ao meu ser. Às vezes não me reconheço, tão exterior me pus a mim, e tão de modo puramente artístico empreguei a minha consciência de mim próprio. Quem sou por detrás desta irrealidade? Não sei. Devo ser alguém. E se não busco viver, agir, sentir, é - crede-me bem - para não perturbar as linhas feitas da minha personalidade suposta. Quero ser tal qual quis ser e não sou. Se eu cedesse destruir-me-ia."

Bernardo Soares, O Livro do Desassossego

quarta-feira, 13 de março de 2013

(n)o meu país...

"não desisto

São dez da manhã e estou à espera de ser atendido no Centro de Emprego. Não faço a mínima ideia que só vou sair dali às quatro e vinte da tarde, depois de uma longa e inesperada espera. Hoje foi este o meu dia.
Tenho na mão uma capa com toda a papelada que acumulei desde que caí nas malhas do desemprego, incluindo todo o processo que vou levar a tribunal, mais o primeiro volume de 1Q84, do Haruki Murakami, que a minha namorada me ofereceu. Nunca agradeci tanto um presente, acho eu.
Já li, aliás, cerca de cem páginas do livro quando o meu estômago começa a dar os primeiros sinais de apetite. Tenho a senha B091 e vai na B034. É uma da tarde. Passo em revista quase todas as caras das pessoas que se amontoam naquele espaço exíguo, algumas em pé, outras sentadas. Há alguns sorrisos que me parecem esforçados, há ausência na maior parte dos rostos e, para piorar, sinais de evidente derrota em alguns deles.
O homem ao meu lado, por exemplo, que deve ter uma idade a rondar os sessenta anos, está ferido num olho e sua tristeza por todo o corpo. Tira um bocado de pão do bolso esquerdo e come-o em pequenos pedaços, sem mais nada, escondendo-o dos demais. Não é por medo que lho roubem. É, parece-me, para preservar alguma eventual réstia de dignidade que ainda tenha.
Algumas vozes, ainda que contidas, protestam com as funcionárias que vão chamando lentamente os utentes. Chamam-lhes preguiçosas das mais diversas maneiras mas, em abono da verdade, acho injusto. Não vi nenhuma parada. Sei por experiência própria que alguns processos são bastante demorados. Não deixa é de ser curioso que, onde há tantos desempregados à espera de vez, não empreguem mais ninguém para atender. Rio-me, para dentro, do meu próprio país. Tenho pena de o fazer.
Sinto um toque no joelho. É uma criança que olha, babada, para o chocolate que entretanto abri. Parto uma porção generosa para lhe dar, mas primeiro procuro a autorização no olhar da mãe, que está algumas cadeiras ao meu lado. Ela abana ombros, consentindo com vergonha. A criança agradece, sem saber que eu é que lhe agradeço ainda mais. A mãe tem uns olhos tão bonitos que parecem um oásis naquele deserto de emoções. São negros, e fico com a sensação de que é impossível adivinhar o que está por trás deles. Apaixono-me por dois minutos. Valeu a pena o chocolate. A criança afasta-se.
Fixo os olhos no chão, como que para fugir dali por uns momentos, apesar da noção de que é impossível esconder-me. Fixo uns sapatos cujas solas estão quase todas descoladas. Parecem bocas abertas e, como tal, gritam em silêncio. É o que eu estou a fazer, a gritar em silêncio. A pobreza é pornográfica e está ali, à vista de todos sem chocar ninguém. É chocante.
Não desisto, penso. Chegou a minha vez de ser atendido. Chegará a nossa vez de viver."

sábado, 9 de março de 2013

quando as coisas não nos devolvem nada

esta noite vai sair outra vez. nunca são longas, as saídas. nem são assim tantas. ainda assim, é mais uma saída...
cuidou dela durante toda a tarde, agora escurece e vão sendo horas de aparecer no restaurante. esperam-na os amigos do costume, colegas de trabalho na sua maior parte. e, esperam-na também, as conversas: o estado do país, os impostos que não param de aumentar, as despesas com a casa, o carro, com os filhos.... falar-se-á inevitavelmente nas proezas profissionais e na falta delas; e nas gripes que persistem, fruto deste mau tempo, claro...
é verdade que tudo se revela algo terapêutico, menos solitário. convive-se, observa-se, constata-se. principalmente, partilha-se. partilham-se.
até que as horas se cumprem e como sempre, um regresso a casa.
há um novo regressar, que de novo nada tem. é a mesma urgência em voltar para o familiar, em mudar para uma roupa confortável, em espreitar o computador antes de dormir, em se esticar no sempre silencioso quarto.

esta noite insistiu em sair outra vez.
e já deitada, continua sem entender porque insistem as pessoas em cenas que não lhes devolvem nada...


sexta-feira, 1 de março de 2013

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

"Deito-me tarde...

Vânia Medeiros
...Espero por uma espécie de silêncio
Que nunca chega cedo
Espero a atenção a concentração da hora tardia
Ardente e nua
É então que os espelhos acendem o seu segundo brilho
É então que se vê o desenho do vazio
É então que se vê subitamente
A nossa própria mão poisada sobre a mesa

É então que se vê o passar do silêncio"

sophia de mello breyner andresen